quinta-feira, 29 de março de 2007

Controle da natalidade: preservativo: de dois males o menor?

(Revista Pergunte e Responderemos, PR 460 2000)

A liberação do preservativo, ainda que somente em casos especiais, deve ter conseqüências infelizes para a nossa sociedade. Com efeito; poderá significar que não há obstáculo ao relacionamento sexual livre, desde que os parceiros tomem as devidas cautelas para evitar gravidez indesejada. Disto seguir-se-á maior número de jovens precocemente grávidas, que ou praticarão o aborto ou serão mães solteiras. A experiência norte-americana revela que tal tipo de liberdade causa fastio e provoca a réplica de jovens abstêmios, que apregoam a castidade não tanto por motivos religiosos como por desdém à experiência negativa. - Há, porém, quem recorra a um princípio de Moral que ensina: "entre dois males escolha o menor". Aplicado ao caso em questão, o princípio quer dizer: quem está entre o mal da transmissão da AIDS (por não usar preservativo) e o mal do preservativo, escolha este último, que parece ser o mal menor. A propósito deve-se ponderar o seguinte: o princípio vale quando não há alternativa entre dois males e a pessoa é obrigada a agir. Acontece, porém, que, no caso do relacionamento sexual, há sempre uma terceira opção: a abstinência... Esta, porém, pode parecer fora de cogitação, já que a onda erotizante da sociedade dificilmente concebe a continência sexual. O pansexualismo que afeta muitos lares e muitas escolas dá a crer a muitos jovens e adultos que a abstinência sexual faz mal à saúde física ou psíquica, quando na verdade conceituados representantes da sociedade brasileira dão seu depoimento favorável à castidade não por motivos religiosos, mas por efeito do bom senso e da experiência contrária; tenha-se em vista O GLOBO, Caderno da Família, de 30/04 pp., págs. 1 e 2. Ademais é de notar que o slogan Safe Sex (Sexo Seguro) é falso; está medicamente comprovado que os preservativos são falhos. Pesquisa realizada por Richard Smith, especialista americano na transmissão da AIDS, apresenta seis grandes falhas do preservativo, entre as quais menciona a deterioração do látex, ocasionada pelas condições de transporte e armazenagem. Ainda que os preservativos cheguem em perfeitas condições aos usuários, estes ainda não estariam seguros. O tamanho do vírus do HIV da AIDS é 450 vezes menor que o espermatozóide. Estes pequenos vírus podem passar entre os poros do látex tão facilmente em um bom preservativo como em um defeituoso; ver Richard Smith, The Condom: Is it really safe sex? Public Education Comitee, Seattle, EUA. Julgam bons observadores que o interesse de firmas comerciais favorece o falso chavão e explora a imperícia dos incautos, que são danificados às custas de interesses espúrios. Em suma, diante da problemática em foco, só há uma via de solução satisfatória: o reescalonamento dos valores, de modo que se conceba o sexo, sem dúvida, como um valor, valor, porém, que está integrado no conjunto de uma personalidade que não é irracional e cega, mas é capaz de formular um ideal de vida inteligente e enobrecedor, ideal em que os impulsos instintivos se harmonizem com os ditames da razão humana, naturalmente aberta à Transcendência.

(Texto publicado no jornal O GLOBO aos 19/06/00, p. 6)

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