quinta-feira, 15 de março de 2007

Aborto: mister aborto reconhece os crimes

(Revista Pergunte e Responderemos, PR 412/1996)

O jornal AVVENIRE de Milão, edição de 10/3/96, noticia o caso de um médico da cidade (bairro de Parco Ravizza), o Dr. S. B., designado pela imprensa como "Mister Aborto". -

Denunciado por uma sua cliente, mal sucedida no trato com o Dr. S. B., o médico reconheceu a prática ilegal e imoral, dando ocasião a que a Polícia investigasse a fundo os seus procedimentos. Eis em síntese o que se lê naquele periódico:

O Dr. S. B. cometia abortamentos após o terceiro mês de gravidez - o que na Itália não somente é imoral, mas também é ilegal. Atendia a senhoras que lhe pagavam bem, ou seja de oitocentas mil liras a um milhão e meio de liras por cada intervenção. Cometeu 750 abortos clandestinos em cinco anos. Tinha uma equipe que o ajudava em sua clandestinidade.

As dependências dessa clínica são chamadas pela imprensa "la bottega degli orrori" (a Loja dos Horrores). Os instrumentos cirúrgicos utilizados pelo Dr. S. B. eram guardados em uma caixa para sapatos, sem se observarem as normas de higiene mais rudimentares.

Encontraram-se no frigorífico da clínica provetas com urina ao lado de alimentos. Também foi descoberto nessa clínica vasto material pornográfico a ser vendido comercialmente: video-cassetes, revistas, manifestos, fotografias, símbolos eróticos... Mais: diz o jornal que, em oito dos apartamentos de que o Dr. S. B. era proprietário, havia inquilinas que eram prostitutas (verdade é que aborto e prostituição são coisas diferentes, mas o fato mostra como o desrespeito às leis da natureza pode chegar a maiores e maiores desatinos).

O Dr. S. B. é um antigo pedicure, que aos quarenta anos de idade se diplomou em medicina e aos 62 anos se dispôs a ganhar dinheiro de forma clandestina.

Como dito, a denúncia dos crimes cometidos foi feita por uma jovem filipina, vítima dos desmando do médico. Ela foi procurar o Pronto Socorro do Hospital San Carlo de Milão em situação de emergência, pois sofria de grave hemorragia. O motivo era um abortamento incompleto realizado na clínica de "Mister Aborto" após o terceiro mês de gravidez. Os agentes de saúde do Hospital procuraram chegar à raiz desse incidente e descobriram finalmente a clínica do Dr. S. B. Entre outras coisas que resultaram das investigações então realizadas, estava o fato de que o médico clandestino possuía naquele momento três bilhões de liras em conta corrente.

Logo que a Polícia italiana soube que o Dr. S. B. praticava abortamentos ilegais em larga escala, resolveu apurar melhor a questão, enviando dois agentes policiais dissimulados à clínica; alegavam que uma senhora precisava de abortar. Respondeu o médico: "Não há problema. Isto se resolverá em poucas horas". Diante de tal resposta os dois policiais se identificaram como tais. Então O sangue gelou nas veias do Dr. S. B., que teve de reconhecer as suas práticas ilegais. A Polícia chamou também algumas das mulheres que haviam recorrido ao aborto na clínica clandestina, pois também elas eram condenáveis por burlarem a lei italiana n° 194. Eram sujeitas a penalidades, que em alguns casos lhes foram aplicadas e em outros não. A clientela de "Mister Aborto" compunha-se de italianas e estrangeiras; geralmente estas eram clandestinas na Itália, provenientes das Filipinas e da América Latina.

Foi ainda averiguado que o Dr. S. B. tinha tantas clientes que, quando não era capaz de atender a todas, mandava algumas a um colega vizinho, dos arredores de Milão, que se prestava a colaborar com o Dr. S. B. Foram também apuradas as causas de tanta procura de aborto; os pesquisadores verificaram que muitas das mulheres que procuravam abortar eram pressionadas ou pelo marido ou pelo companheiro de concubinato, sendo às vezes ameaçadas de humilhação pelo seu parceiro. Arriscavam a própria vida no abortório para eliminar a vida de suas criancinhas inocentes.

Esta história hedionda, mas real, ilustra o que é a permissividade abortista. A legalização do aborto parece algo de humanitário; seria o alívio prestado à mulher, poupando-lhe os incômodos da gestação. Verifica-se, porém, que o pretenso alívio redunda em exploração da mulher, sujeita às injunções dos homens (parceiros e médicos) que se aproveitam delas para extorquir-lhes a honra ou o dinheiro e a liberdade. A Igreja, consciente de que toda violação da lei do respeito à vida (que é a lei de Deus) acarreta graves males para o ser humano, opõe-se à legalização do aborto e apregoa a defesa da pessoa humana contra os interesses do hedonismo, do dinheiro e da manipulação.

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