quinta-feira, 24 de maio de 2007

Santidade: sede santos...


(Revista Pergunte e Responderemos, PR 458/2000)

O Antigo Testamento, já em suas primeiras páginas, recomenda ao povo de Deus que seja santo, "pois Deus é santo" (Lv 11, 45). Esta norma parece, à primeira vista, utópica ou desmedida, pois santidade é, como se pensa, coisa rara, reservada a privilegiados. Enganar-se-ia quem assim pensasse, pois o Senhor Jesus, no Evangelho, repete a mesma norma: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48). Mais ainda: a Tradição cristã reiterou fielmente este convite do Divino Mestre, de modo que o Concílio do Vaticano II (1962-65) o reafirmou solenemente no cap. V da Constituição Lumen Gentium: todo cristão, desde o momento do seu Batismo e regularmente alimentado pela S. Eucaristia, é chamado à santidade.

A boa lógica nos leva a dizer que Deus, sumamente sábio, não pode ter chamado suas criaturas para algo de impossível. Muito ao contrário, é de crer que, por efeito desse chamado, Ele dá a cada um as graças necessárias para chegar à perfeição; Ele atende a cada qual em suas dificuldades e circunstâncias próprias, de modo que solteiros e casados, sadios e ricos, jovens e anciãos possam atingir a meta almejada. Considerando um aspecto particular da vocação à santidade, afirma São Paulo que "Deus é fiel. Não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a tentação, Ele vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar" (1 Cor 10,13). Não resta dúvida, portanto, de que todo e qualquer cristão não somente pode, mas também deve, aspirar à santidade,... não a uma santidade espalhafatosa e teatral, mas à verdadeira santidade, que é sempre humilde e discreta. - Em suma: não há vocação para a mediocridade ou para o meio-termo. Não há como distinguir entre "salvar a alma" e "ser santo"; uma coisa implica a outra.

Perguntará alguém: e em que consiste a santidade? - Muitas respostas se podem propor para tal pergunta. Resumamo-las numa só palavra: ser santo é ser generoso, ter um coração dilatado, magnânimo; é dar com alegria, pois "Deus ama a quem dá com alegria" (2Cor 9, 7). Magnanimidade e generosidade, ao responder a Deus, eis o que faz os Santos.

Se o mundo precisa de economistas, sociólogos, educadores, psicólogos..., mais ainda necessita de Santos. Pois o Santo não se aperfeiçoa numa dimensão apenas de sua personalidade, mas se aperfeiçoa como ser humano em todas as dimensões que integram uma personalidade realizada. Pode haver excelentes profissionais nos diversos ramos do saber e do agir, deficientes, porém, como seres humanos (pois dados a vícios e paixões desregradas). Ao invés, o Santo ou a Santa se purifica de tudo o que possa poluir o ser humano como tal, permitindo assim que mais resplandeça em seu pobre eu a imagem e semelhança de Deus.

Existem Santos? Sim,... discretos e modestos, como deve ser a santidade. Tu, leitor(a) amigo(a), recebeste o chamado a ser um deles ou uma delas, que dissemine alegria e ânimo neste mundo tão carente de gente heróica!

E.B.

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