quinta-feira, 3 de maio de 2007

Milagres: em Lanciano

(Revista Pergunte e Responderemos, PR 261/1982)

Em síntese
: Em Lanciano (Itália) narra-se maravilhoso fato, que tem servido para suscitar e fortalecer a fé na real presença de Cristo na S. Eucaristia: no século VIII durante a celebração da S. Missa um monge basiliano (da Ordem de São Basílio Magno) terá observado que a hós­tia consagrada repentinamente se tornou carne e o vinho consagrado sangue verdadeiro. Estes elementos foram guardados e venerados atra­vés dos séculos. Ainda em 1970/71 foi realizado um exame científico de partes da carne e do sangue guardados desde o século VIII como relí­quias; as conclusões de tal perícia médica afirmavam tratar-se de ver­dadeira carne e autêntico sangue; a própria conservação destas relíquias, deixadas no seu estado natural durante tantos séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos é tida como fenômeno inexplicável.

Não há dúvida, porém, de que a fé dos católicos na real presença de Cristo eucarístico não se fundamenta sobre tal episódio, mas, sim, sobre as afirmações da S. Escritura e da Tradição, que o magistério da Igreja sustentou inabalavelmente através dos séculos. Lanciano, para quem tenha a evidência dos fatos, vem a ser ilustração da verdadeira fé.

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Comentário: Alguns leitores de PR enviaram a esta re­vista o texto que se segue, referente a Lanciano e à S. Euca­ristia, pedindo a sua publicação. A redação de PR não se furta a difundir tal artigo. Verdade é que a fé dos católicos na real presença de Cristo eucarístico não se funda propriamente sobre o episódio narrado, mas, sim, antes do mais, sobre os textos da S. Escritura interpretados pela Tradição oral e pelo magisté­rio da Igreja. Mesmo sem Lanciano a fé seria sólida e inaba­lável, porque baseada com muita clareza sobre os mais firmes alicerces da Revelação Divina, como se demonstra no artigo deste fascículo às págs. 118-128. Lanciano, para quem tenha a evidência dos fatos, vem a ser ilustração das verdades da fé.

LANCIANO E A FÉ EUCARISTICA

1. O núcleo

Lanciano é uma pequena cidade da Itália, na província dos Abruzos. Foi ali que, no século oitavo, há 1.200 anos, deu-se um milagre extraordinário na Igreja de São Legociano, durante a cele­bração da Santa Missa. Um monge basiliano daquele convento começou a duvidar se na Hóstia estaria verdadeiramente o Corpo de Cristo e no Cálice, o Seu Sangue. Foi então que se realizou o milagre. A Hóstia grande tornou-se repentinamente Carne e o vinho consagrado mudou-se em Sangue, verdadeiro Sangue, que coagulou e se dividiu em cinco glóbulos de forma e tamanhos dife­rentes. O monge, atônito, ainda pensou em esconder o prodígio, mas, perante a realidade do caso extraordinário, confessou a sua falta de Fé e o milagre com que o Senhor viera confirmá-lo.

Hoje, a 1.200 anos de distância, as relíquias sagradas man­têm-se bem conservadas e praticamente intactas. A Carne, guar­dada entre dois cristais, tem a forma de Hóstia Redonda, com seis centímetros de diâmetro, mais grossa nos bordos que no centro, onde há um pequeno espaço vazio. No meio da Carne, vislum­bram-se algumas manchas brancas de finíssima espessura, restos das primitivas espécies do pão. A Carne aparece de cor castanho-escuro, que se torna rosada quando se coloca uma luz por trás do reli­cário. O Sangue, coagulado, tem uma cor vermelho-escura e é for­mado por cinco gotas diferentes e separadas com o peso total de 15 gramas e 85 miligramas.

A antiga igreja de São Legociano, que alguns identificam com São Longino (o oficial romano que trespassou o Coração de Cristo, originário de Lanciano), foi substituída pela atual, dedicada a São Francisco; é aos franciscanos que ela pertence.

Os Papas enriqueceram-na com privilégios, dum modo parti­cular Leão XIII, que, em 1887, concedeu «in perpetum» (para sempre) indulgência plenária a todos os fiéis que visitarem este Santuário nos oito dias anteriores à festa anual, que cai no último domingo de outubro. Os fiéis, no decurso dos tempos, porfiaram em enriquecer e embelezar tanto o altar como o Sagrado Relicário, que, na forma atual é de prata dourada, foi inaugurado em abril de 1773 e mede 63 cm de altura. No alto, entre os dois cristais, está a Hóstia de Carne. As cinco gotas de Sangue coagulado guardam-se num cálice, também de cristal, com 15 cm de altura, que repousa na base do relicário. Na fita de ouro segura por dois anjos, lêem-se as palavras: «Tantum ergo Sacramentum veneremur cernui» (incli­nados profundamente veneremos tão grande Sacramento), palavras essas tiradas do hino composto por Santo Tomás de Aquino.

2. Os exames científicos: conclusões

Repetidas vezes, no decorrer dos séculos, fizeram-se exames e reconhecimentos das Sagradas Relíquias, dum modo particular em 17 de fevereiro de 1574, e em 1637. A 23 de outubro de 1770, o arcebispo Dom Gervasone tirou algum tempo a Hóstia de Carne para polir o relicário. O arcebispo Dom Petrarca, em 26 de outu­bro de 1886, na presença de cônegos e sacerdotes quebrou os selos que prendem o cálice, podendo observar o Sangue. Não tocou, porém, na redoma da Carne.

Nos nossos tempos, de tanta crítica e de dúvidas, exigia-se um estudo rigoroso e científico. Para isso, no dia 18 de dezembro de 1970, às 9 horas e 30 minutos, o Relicário foi trazido do altar para a sacristia e colocado em cima de uma mesa coberta de panos brancos. Com licença da Santa Sé, o arcebispo de Lanciano, Dom Pacífico Perantoni, na presença de vários sacerdotes, concedeu ao Dr. Oduardo Linoti, professor de Anatomia, Histologia Patológica e de Microscopia, e Diretor Clínico dos Hospitais Reunidos de Arezzo, auto­rização para proceder ao exame científico das Sagradas Relíquias.

Cortados os selos e abertas as redomas, o Prof. Linoti cortou com uma tesoura pequeníssimas partes da Carne e do Sangue coagulado, que levou para estudo nos laboratórios da Faculdade de Medicina na Universidade de Sena. Depois de rigorosos e minucio­sos exames radiológicos, anatômicos e histológicos, em que foi aju­dado por vários analistas, sobretudo pelo Dr. Rugério Bertelli, pro­fessor de Anatomia da mesma Universidade, chegou às conclusões que apresentou em sessão pública no dia 4 de março de 1971, na igreja de São Francisco. Estavam presentes o arcebispo, párocos, superiores de casas religiosas, presidente da Câmara, autoridades civis, judiciárias, militares e acadêmicos, vários médicos e muito povo. Eis as conclusões:

A carne é verdadeira carne, o Sangue é verdadeiro sangue.

A Carne é tecido muscular do coração (miocárdio).

O Sangue e a Carne são de pessoa humana.

A Carne e o Sangue são do mesmo grupo sangüíneo (AB),

o que indica tratar-se duma mesma pessoa.

5. O diagrama do Sangue corresponde a sangue humano, fresco, tirado de um corpo humano, NAQUELE MESMO DIA.

6. Nem na Carne nem no Sangue foram encontrados quais­quer preparados para os preservar da corrupção. São carne e san­gue simples, naturais.

7. A conservação destas relíquias, deixadas no seu estado natural durante tantos séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, é fenômeno que não tem explicação.

Antes ainda de se tornar públicas as conclusões, os peritos que intervieram nas análises, enviaram telegrama ao Superior dos franciscanos de Lanciano: «Et Verbum Caro factum est», i.é. «E o Verbo se fez Carne». Brilhante ato de fé.

Pela primeira vez, no decurso da História, ao menos quanto ao milagre eucarístico de Lanciano, a ciência, dotada de meios excepcionais e precisos, oferece-nos dados categóricos e decisivos que confirmam a validade e a certeza sobre o milagre. Foi lavrada uma ata com o relatório médico e conclusões científicas e tiradas várias cópias. Uma delas foi entregue ao Santo Padre, Paulo VI, outras ao arcebispo da diocese, às Cúrias Generalícia e Provincial dos Frades Franciscanos.

Depois de tornados públicos os resultados, os peregrinos acorre­ram cada vez mais numerosos, a contemplar e venerar o Corpo e o Sangue de Cristo. Tão espantoso milagre é mais uma prova do que sabemos pela fé: que na Consagração o pão deixa de ser pão para se tornar Corpo de Cristo e o vinho deixa de ser vinho para se tornar o Sangue de Cristo. Em Lanciano aparece um sangue VIVO, atualmente vivo, porque análises mostraram o sangue como se fosse tirado, naquele momento, de uma pessoa viva, e não de um cadáver. E uma prova de que Jesus ressuscitou, pois sua Carne que está na Eucaristia não é de um morto, mas de um ser vivo. E carne viva, gloriosa, de Deus vivo e glorioso. Comenta o escritor francês Jean Ladame:

«Há um fato que me impressiona ainda mais: a carne que se conserva no Relicário é carne do Coração. Não a de uma outra parte do corpo adorável de Jesus, mas do músculo propulsor do Sangue, que, portanto, dá vida para o corpo inteiro do músculo que é o símbolo mais manifesto e eloqüente do amor do Salvador para conosco».

3. Observações finais

A natureza «humana» do Sangue e da Carne do «Milagre Euca­rístico» foi conhecida por meio de precipitação segundo o método de Lhenuth. O grupo sangüíneo AB a que pertencem o «Sangue e a Carne» é muito vulgar entre os judeus. Para os que negam o Sobrena­tural, o milagre de Lanciano apresenta um problema insolúvel. E que não é possível explicá-lo humanamente. Por outro lado, ex­clui-se qualquer hipótese de burla ou falsificação; ninguém seria capaz de retirar num coração humano que, como se sabe, é um músculo aberto por dentro, um pedaço uniforme de fibra muscular. E, se tal fosse possível, tanto esse tecido como o Sangue estariam mortos e sujeitos à decomposição. A análise científica, porém, demonstrou que as espécies de há 1.200 anos se apresentavam tais como se naquele instante houvessem sido retiradas de um corpo vivo. Na análise do Sangue notou-se a presença de pro­teínas e sais minerais, nomeadamente cloretos, fosfatos e ainda magnésio, potássio, sódio (em quantidade reduzida) e cálcio. Isto, apesar de as gotas de Sangue do Cálice se encontrarem expostas à ação dos agentes biológicos, pois estão guardadas apenas num Cálice de 13 cm de altura (3 no pé e dez na copa, com um diâ­metro de 16 cm na parte mais alta e 5 na base).

Lanciano é a prova tangível da verdade das palavras sacra­mentais: «Isto é o meu Corpo; isto é o meu Sangue». E também a confirmação de que a presença real se mantém para lá da Missa sob as espécies do pão e do vinho consagrados, como, aliás, sem­pre foi ensinado pela Igreja.

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