segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ciência e Fé: Darwin e a Religião

(Revista Pergunte e Responderemos, PR 029/1960)



«Que pensar de Darwin e da sua teoria evolucionista?


Se o homem provém de viventes inferiores, que resta da doutrina bíblica segundo a qual terá sido criado por Deus?»

A questão levanta o problema complexo da origem do homem, problema que muitas vezes é formulado no seguinte dilema: «Criação ou Evolução?». Ora a questão assim ex­pressa está mal concebida. As dificuldades em grande parte se esvanecem desde que as formulemos em termos exatos. É o que tentaremos fazer abaixo, ao explanarmos a vida e a doutrina de Charles Darwin.

1. Biografia e pensamento de Darwin

1. Charles Robert Darwin nasceu em Shrewbury aos 12 de fevereiro de 1809. Desde cedo revelou grande interesse pela natureza; seus passa-tempos prediletos eram os de colecionar minerais, observar flores, capturar insetos e pássaros, e caçar em geral; nos anos de Ginásio, mostrou não ter memória para os versos de Homero e Virgílio, mas, sim, um pendão positivo para a Geometria e a Química, o que lhe valeu, como referem os biógrafos, a alcunha de «Gás»

Começou estudos de medicina em Edimburgo (1825-27). O genitor de Charles, porém, desejando que este se tornasse ministro da Igreja Anglicana, encaminhou-o para o Christ’s College de Cambridge; con­tudo o jovem não perseverou nos estudos eclesiásticos; voltou, ao contrário, a dedicar-se à História Natural e à Geologia, levando sempre conduta de vida assaz libertina.

De 1831 a 1836 realizou sobre a nave «Beagle» uma via­gem ao longo do litoral da América do Sul e através do Oceano Índico, viagem que havia de marcar decisivamente o resto de sua vida, pois Darwin então observou e colheu os muitos e variados dados de flora e fauna necessários para arquitetar suas futuras teorias. De volta à Inglaterra, publicou o diário desse roteiro com o título «Journal of Researches into the Natural History and Geology of the Countries visited during the voyage of H.M.S. Beagle» (Londres 1839).

Em 1842 recolheu-se à aldeia de Donn, onde prosseguiu incansavelmente até a morte (19 de abril de 1882) os seus estudos teóricos e práticos; publicou várias obras, das quais a mais famosa ficou sendo «On the Origin of Species by mean of Natural Selection» (Londres 1859; 6a. ed. em 1882).

Os 1250 exemplares da primeira edição desse livro venderam-se todos num só dia (24 de novembro de 1859). Ouviram-se natural­mente «prós» e «contras»: Adam Sedgwick, por exemplo, antigo professor de Darwin, julgou encontrar na obra «partes totalmente falsas e dolorosamente maliciosas»; Sir John Herschel, cientista e filósofo, qualificou-a de «Lei da Confusão». Outros grandes vultos, porém, como os de Hooker, Lyell e Wallace, deram pleno apoio à argu­mentação de Darwin.

2. A teoria do transformismo já fora lançada em 1809 pelo cientista francês Lamarck, o qual admitia o aparecimento da vida por geração espontânea e o aperfeiçoamento dos seres vivos por efeito tanto de um poder evolutivo intrínseco como por influência do ambiente. Darwin, após a sua viagem, já não alimentava dúvidas sobre o fato da evolução; a sua aten­ção voltava-se principalmente para o modo como as espécies se transformam. A explicação lhe foi sugerida pelo processo de seleção praticada pelos criadores de animais domésticos (pombos, bois, cães, cavalos...) para obter tipos ou raças cada vez mais úteis ao homem: Darwin julgou que a natureza, por sua vez, empreende gigantesco processo de seleção, extensivo a todos os viventes. Levando em conta outrossim a recém--formulada lei de Malthus (1798) segundo a qual os meios de subsistência não crescem na proporção do aumento das populações, Darwin admitiu a luta de todos os seres em prol da sua subsistência; nessa luta devem perecer multidões nume­rosas, a fim de não se esgotarem os recursos da terra. Pois bem; perecem naturalmente os indivíduos mais fracos, fi­cando apenas aqueles que estejam adaptados às árduas cir­cunstâncias do ambiente de vida; a necessidade de se adaptar terá aprimorado, nos animais e vegetais primitivos, as formas variantes mais adequadas, formas variantes que produziram não somente novas raças, mas também novas espécies de vi­ventes. Na obra «The Descent of Man», Darwin considerava até mesmo o gênero humano como resultante do desenvolvi­mento de animais inferiores: as faculdades intelectuais, a linguagem, o senso moral e as disposições religiosas do tipo humano não seriam senão modalidades biológicas de um vivente primitivo, modalidades que, em virtude de sua utili­dade, se foram conservando até hoje! A existência, no homem, do que se chama «o espírito», não seria senão um fenômeno biológico ou o resultado do processo de adaptação ao ambiente. O cientista inglês não negava que as espécies nos parecem hoje em dia estáveis e subtraídas à evolução, embora ainda se imponha a luta pela vida; explicava, porém, que tal aparência é ilusória, devendo-se exclusivamente à lentidão das transfor­mações, que de fato continuam a se dar.

O princípio segundo o qual a necessidade de sobreviver provoca a formação de órgãos adequados levava Darwin a explicar por esse modo o aparecimento mesmo dos órgãos mais complexos do corpo humano. A respeito do olho, porém, o cientista inglês experimentou certa hesitação, que ele conseguiu finalmente vencer; eis o que se lê em uma de suas cartas: «Até agora o olho provoca-me arrepios; mas, ao pensar nas belas gradações conhecidas, minha razão me diz que é preciso dominar o espanto» (Vida e correspondência t. II pág. 124).


Em outro episódio de sua correspondência, Darwin reconhecia que a lei da seleção natural, fundamento de toda a sua teoria, não passava de mera hipótese de trabalho, visto carecer de provas devi­damente claras:

«A crença na seleção natural deve hoje fundar-se inteiramente sobre considerações de ordem geral. Quando descemos a particulares, podemos provar que nenhuma espécie mudou ou (com outras palavras) não podemos provar que uma só espécie tenha mudado; também não podemos provar que as mudanças pressupostas sejam úteis, tese que constitui o fundamento da teoria» (carta a Bentham, 22 de maio de 1863).

3. É esta, em suma, a teoria evolucionista de Darwin. Como se vê, caracteriza-se por sua índole mecanicista ou alheia a todo finalismo. O famoso naturalista não deu lugar em suas elucubrações à ação de uma Providência Divina que dirija soberanamente todos os seres, fazendo que as mudanças entre as criaturas tenham seu sentido e convirjam para a realização de um plano sábio e grandioso. Conseqüentemente, o autor de «The Descent of Man» reconhecia: «Não ignoro que muitos rejeitarão como altamente irreligiosas as conclusões a que chegamos nesta obra» (trad. franc. Paris 645).

Na verdade, Darwin foi aos poucos perdendo o senso re­ligioso de sua juventude, chegando no fim da vida a flutuar entre o deísmo (reconhecimento de um Deus que não interfere senão vagamente no curso deste mundo) e o agnosticismo. Na edição definitiva da obra sobre «A origem das espécies» (1882) ele ainda falava do «Criador»; afirmava outros­sim: «Julgo que minhas concepções não são necessariamente atéias» (Vida e correspondência, t. II pág. 175). Reconhecia ademais que o acaso não explica este mundo. O fato, porém, é que qualquer afirmação da existência de Deus, logicamente exigida pela observação da natureza, nele era minada pela dúvida fundamental: Será que as convicções da inteligência humana, oriunda do psiquismo dos animais inferiores, têm algum valor e atingem a realidade objetiva?

Assim, por exemplo, escrevia Darwin a um amigo em 1881: «Exprimiste minha convicção intima, ... a saber: o universo não é o resultado do acaso. Mas a dúvida me assalta sempre, e pergunto--me se as convicções do homem, que se desenvolveu do espírito de animais inferiores, têm algum valor, de sorte que nelas possamos de algum modo confiar» (Vida e correspondência, t. I 368).


Apenas de passagem, antecipando o que mais adiante se frisará melhor, note-se que a sã Filosofia rejeita a expressão «espírito de animais inferiores». Nos irracionais não há espírito; cf. «P. R.» 5/1958, qu 1.


Em sua autobiografia, redigida em 1876. Darwin se pronunciava de modo análogo, após haver criticado o argumento em favor da existência de Deus derivado da convicção íntima da maioria dos homens:

«Impressiona-me por seu peso... ainda outro motivo de crer na existência de Deus. Tal motivo é a extrema dificuldade ou, antes, a impossibilidade de conceber o universo prodigioso e imenso, em particular o homem, com sua faculdade de se referir ao passado e de considerar o futuro, como o resultado de um destino ou de uma cega necessidade. Refletindo, sinto-me levado a admitir uma Causa primeira, dotada de espírito inteligente, análogo sob certos aspectos ao espírito do homem; mereço então ser chamado deísta. — Tal conclusão, aliás, estava fortemente arraigada em meu espírito, enquan­to me posso lembrar, na época em que escrevi 'A origem das espécies'; foi depois desse período que tal convicção se debilitou muito gradativamente, e com várias hesitações. Uma dúvida, porém, surge em mim: o espírito do homem, que, segundo me parece, não era a principio mais desenvolvido do que o espírito de animais inferiores, merecerá confiança quando ele deduz tão importantes conclusões?» (Vida e correspondência, t. I 363s).

Enfim, parece que,solapado por sua própria teoria evolucionista. Darwin perdeu cada


vez mais a noção de um Deus Bom e Providente, para cair no quase completo agnosticismo:


«Nas minhas mais graves oscilações, jamais cheguei ao ateísmo no sentido próprio da palavra, isto é, nunca neguei a existência de Deus. Creio que de modo geral, na medida em que vou envelhecendo, a descrição mais exata do meu estado de ânimo é a do agnóstico» (Correspondência, trad. franc. Paris 1888, pág. 354).

4. O varão cujo pensamento fica assim delineado, tor­nou-se no setor da biologia empírica um dos maiores vultos do século passado: chamando a atenção para o fator «evolu­ção», inegavelmente abriu novos horizontes para muitas pes­quisas científicas (no setor da etnologia, da sociologia, da economia, etc.). A figura do naturalista inglês foi realçada em 1959, quando se celebrou o primeiro centenário da publi­cação da obra «Sobre a origem das espécies». Fica, porém, no espírito de muitos observadores uma dúvida assim conce­bida: pode alguém ser evolucionista sem cair, como Darwin, no agnosticismo ou mesmo no materialismo puro? Se a for­mação das espécies se explica por evolução, onde fica a idéia de um Deus Criados de todas as coisas, visíveis e invisíveis? Não terão razão os que propõem o dilema: «Ou Criação e crença em Deus ou Evolução e renegação de Deus?».

É a tais questões que vamos dedicar o parágrafo seguinte.

2. Criação ou evolução?

1. O dilema acima formulado é inconsistente, pois os dois termos não se excluem mutuamente.

Com efeito. Que se entende por «criação»? — Criação é o ato de dar existência a um ser a partir do nada.

E que se entende por «evolução»? — Evolução não é senão o desenvolvimento de matéria preexistente que tende a formas de existência cada vez mais perfeitas.

Ora o fato de que criação e evolução não se excluem re­ciprocamente se prova pela observação seguinte: quem fala de matéria em evolução, tem que explicar donde provém essa matéria.

Se diz que está eternamente, ou sem princípio, em evo­lução, afirma algo de impossível ou, mais precisamente, algo que a ciência da termodinâmica rejeita: esta ensina, sim, que o movimento do universo tende a um estado de equilíbrio ou de repouso; ora, se tende ao repouso, começou a partir do repouso; o movimento, portanto, teve princípio e terá fim; o nosso universo, se não tivesse começado a se mover em época relativamente recente, estaria agora em estado de equilíbrio ou de imobilidade. Donde se vê que a matéria em evolução não se explica por si mesma; ao contrário, ela supõe um Ser absoluto que lhe tenha dado a existência a partir do nada e o seu respectivo movimento. Esse Ser absoluto é o Criador, Deus, sem dúvida alguma diverso da matéria. Cf. «P.R.» 6 1957, qu. 1.

Em última análise, pois, criação e evolução não se ex­cluem. Quem é criacionista, pode ser também evolucionista, e vice-versa.

2. Faz-se mister, porém, examinarmos de mais perto em que termos se dá a conciliação das duas posições.

Para explicar o mundo presente, requerem-se natural­mente tantos atos criadores de Deus ou tantas produções a partir do nada quantos são os tipos de criaturas irredutíveis um ao outro. Ora, na verdade dois são os tipos de criaturas dos quais um não se pode derivar do outro: a matéria e o espírito. — A matéria pode ser inanimada ou animada, animada por vida vegetativa apenas ou por vida vegetativa e sen­sitiva. Quanto ao espírito, ele é sempre animado, e animado por vida intelectiva. Cf. «P.R.» 7 1958, qu. 1.

É o que em esquema assim se pode reproduzir:


MATÉRIA:


INANIMADA: mineral


ANIMADA:


Animada vegetal, e


Animada sensitiva(animal racional)

ESPÍRITO: animado por vida intelectiva

Por conseguinte, as grandes etapas da origem do mundo e do homem assim se poderiam, a rigor, reconstituir:

Deus, por um ato criador (isto é, produzindo a partir do nada), terá dado existência à matéria primitiva (informe, em estado de nebulosa ou como a ciência julgar mais verossímil). A essa matéria inicial o Criador haverá comunicado as leis de seu sucessivo aperfeiçoamento (ou de sua evolução): a matéria então, sob o regime da Providência Divina, terá pas­sado lentamente pelas transformações que os astrônomos e geólogos apontam, de modo a constituir o nosso sistema pla­netário e, dentro deste, o globo terrestre com suas rochas e seus minérios. A vida vegetativa e a vida sensitiva, sendo ambas derivadas de um princípio material (que, conforme ensinam os filósofos, é eduzido da matéria e reabsorvido por esta), podem ter aparecido por evolução da matéria, sem que, a rigor, tenham sido diretamente criadas a partir do nada. A matéria animada (o reino animal) se terá desenvolvido até chegar ao grau de complexidade e perfeição necessário para ser sede da vida espiritual ou intelectiva. Então, após tão longa fase de evolução, necessariamente Deus terá intervindo de novo mediante um ato criador (a rigor, poderia ser o segundo ato criador) para produzir a alma humana. . . Esta, em abso­luto, não pode provir da matéria, pois, como foi demonstrado em «P. R.» 5 1958, qu. 1, ela é espiritual, e o espírito se dis­tingue essencialmente do corpo.

Em poucas linhas, todo o plano se poderia assim resumir
Ato Criador: Produção da Matéria Primitiva

EVOLUÇÃO REGIDA PELA PROVIDÊNCIA:

   Aparecimento dos Minerais.


   Aparecimento dos Vegetais.


   Aparecimento dos Animais Irracionais.

Ato Criador: Produção da Alma Humana


Tornam-se oportunas algumas observações ao esquema acima:

1) Não há dúvida, toda e qualquer alma humana, no decorrer dos séculos, tem a mesma origem, ou seja, é direta­mente criada por Deus.

2) Entre os dois atos criadores acima notados, é claro que Deus pode ter efetuado outros atos criadores. Não poucos estudiosos julgam que a vida, mesmo em seu grau ínfimo (que é o grau vegetativo), não se pode explicar por simples pro­cesso evolutivo da matéria (a vida vegetativa não poderia estar contida dentro da potencialidade da matéria, embora o seu princípio vital seja material); em tal caso, tornar-se-ia evi­dente que Deus interveio no mundo para criar os primeiros seres vivos. Há também quem julgue impossível a transição de uma espécie para outra nos reinos vegetativo e sensitivo; Deus então terá interferido com sua potência criadora tantas vezes quantas sejam necessárias para explicar as diversas espécies de viventes (note-se, porém, que é difícil delimitar as espécies e que as intervenções criadoras de Deus não são perceptíveis ao cientista, pois não deixam vestígios diretos nas camadas da terra).

Ao confeccionar o esquema acima, o que nos interessava era unicamente mostrar o que, no mínimo, se deve admitir no tocante aos atos criadores de Deus; as duas intervenções apontadas bastam, a rigor, tanto aos olhos da Filosofia como aos da Revelação cristã, para explicar o mundo presente.

3) A quem pergunta se «o homem foi criado por Deus ou é proveniente do macaco» (é assim que popularmente se costuma formular a questão), dever-se-á necessariamente res­ponder mediante uma distinção:

a alma humana, em toda e qualquer época, é criada por Deus;

o corpo humano pode-se ter originado por evolução de corpo já animado; quem deve decidir e explicar a questão são os homens de ciência, pois a Revelação não tem doutrina pró­pria sobre o assunto. Hoje em dia os estudiosos diriam que o corpo humano, caso seja produto de evolução, descende não dos macacos atuais, mas de um vivente mais primitivo, do qual tanto o homem como os símios modernos são oriundos.

3. Mais uma vez Darwin. . .

De quanto acaba de ser dito, percebe-se que o que a sã razão e a Religião têm a objetar a Darvvin não é, de modo algum, o fato de ter ele apelado para a evolução a fim de explicar a origem das espécies. Duas outras são as dificuldades que o filósofo e o teólogo formulam contra o darwinismo:

1) a índole mecanicista da evolução apregoada pelo cientista inglês. Não levando em conta o finalismo do universo (inanimado e animado), Darwin entrou em conflito com a noção de Deus sábio e providente. Este se compraz, sim, em utilizar as criaturas e sua potência evolutiva para atingir fins grandiosos, mas nunca teria abandonado as criaturas a uma luta cega e mecânica em prol da própria subsistência.

O finalismo dos diversos processos evolutivos é hoje em dia geralmente admitido; quanto mais os estudiosos conhecem os seres vivos, tanto mais neles percebem a tendência a conservar sua estrutura característica, ao mesmo tempo que se adaptam às necessidades da luta pela vida; tenha-se em vista, por exemplo, o mimetismo de muitos organismos, que tomam colorido e formas acomodadas ao ambiente onde se acham (sabem até mesmo «imitar o morto»...);... os olhos com lentes bifocais no peixe tetroftalmo, que, vivendo à tona da água, precisa de ver tanto debaixo da água como fora desta;... as várias simbioses, como a da alga e do cogumelo;... a vasta escala de instintos nos animais, alguns dos quais visam acontecimentos posteriores à própria morte dos agentes (assim há borboletas que põem seus ovos dentro da planta necessária para alimentar a futura larva após o desaparecimento da borboleta mãe...);... a distribuição das folhas nos ramos de modo a se ofe­recerem à luz...

Verificando tais e outros fatos, muitos estudiosos modernos (ca­tólicos e não-católicos) professam o evolucionismo, evolucionismo, porém, finalista (orientado por uma Inteligência suprema, que parece ter deixado um vestígio de Si em cada ser vivo).

2) O sistema de Darwin é falho outrossim por não re­conhecer a diferença entre espírito e matéria. Darwin mesmo foi vítima dessa posição, pois julgava conseqüentemente não poder atribuir grande valor às suas faculdades intelectivas, visto que as considerava quais meras excrescências do psiquismo do animal bruto ou irracional.

Em termos positivos, a distinção entre espírito e matéria já foi explanada em «P. R.> 5/1958. qu. 1.

Em conclusão: o que no século passado tornou o darwinismo infenso às escolas católicas, foram as idéias filosóficas com as quais o naturalista inglês e seus discípulos associaram as teses evolucionistas. Com o decorrer dos tempos, verificou-se que tal associação não é em absoluto necessária. Há distinção nítida entre darwinismo e evolucionismo, como foi evidenciado atrás; salva-se a doutrina da evolução biológica, sem que se renegue a Providência de Deus, que criou a matéria e o es­pírito e que tudo governa.

Não se poderia encerrar a presente resposta sem uma referência aos fascículos de «P. R.» nos quais são elucidadas as páginas da S. Escritura atinentes à origem do mundo e do homem. Veja-se:


«P. R.» 26/1960, qu. 4 (criação do mundo em seis dias?);


cP. R.» 7/1958, qu. 1 (origem da vida);


«P. R.» 4/1957, qu. 1 (origem do primeiro homem e da primeira mulher);


eP. R.» 7/1957, qu. 2 (origem das raças humanas);


«P. R.s» 9/1958, qu. 1 (teoria de Teilhard de Chardin);


«P. R.» 20/1959, qu. 4 (monogenismo ou poligenismo? Um ou vá­rios casais na origem do gênero humano?).


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