(Revista Pergunte e Responderemos, PR 008/1958)
«Como se explicam as promessas anexas ao escapulário do Carmo? A Justiça Divina poderia, simplesmente em atenção a essa insígnia, permitir que um pecador endurecido não seja condenado?»
Dividiremos a resposta em três etapas: 1) origem do escapulário como tal; 2) privilégios anexos ao escapulário do Carmo; 3) valor histórico e significado religioso dos mesmos.
1. Origem do escapulário
O escapulário (do latim scapula, espádua) é uma longa peça de pano que das espáduas desce sobre o peito e as costas de quem a traja, recobrindo a respectiva túnica. Ini cialmente servia de avental durante o trabalho manual. Muito usado entre os monges, tornou-se uma das insígnias carac terísticas das Ordens monásticas e religiosas em geral.
Na Idade Média as Ordens Religiosas propriamente ditas foram criando em torno de si o que se chama «as Ordens Terceiras» (ou as famílias de «Oblatos» e «Oblatas»), compostas de pessoas seculares desejosas de viver em contato assíduo com os mosteiros e conventos (a «Ordem Segunda» era o ramo feminino, enclausurado, de uma Ordem masculina dita Primeira»). Os terciários e Oblatos receberam, como distin tivo de seu estado, o escapulário. Aos poucos, este foi sendo adotado até pelas Confrarias, associações remotamente vei culadas a determinada Ordem. Então, para facilitar o uso da insígnia, os Superiores religiosos resolveram admitir, ao lado do escapulário grande, o escapulário pequeno, que consta de dois retângulos de pano de lã ligados entre si por duas fitas, de sorte a poder ser trazidos pelos irmãos dia e noite sobre o peito e as costas. É esta a forma hoje em dia mais comumente adotada pelos fiéis que vivem no mundo.
Distinguem-se atualmente vários tipos de escapulários segundo as diversas Ordens Religiosas e modalidades da piedade cristã: o mais famoso é o escapulário marron ou negro, da Or dem do Carmo, ao lado do qual se podem citar: o escapulário branco, da SSma. Trindade, propagado a partir de 1200; o escapulário negro, das Sete Dores de Maria, devido aos Servitas, a partir de 1255; o escapulário azul, da Imaculada Conceição, concedido em 1691 e 1710 aos Teatinos; o escapulá rio vermelho, dedicado à Paixão do Senhor, difundido pelos Lazaristas e aprovado em 1847.
O uso do escapulário não visa apenas ornamentar o res pectivo portador. Ao contrário, tem valor religioso digno de nota: significando a filiação a uma Ordem ou Confraria, implica, em quem o traz, o desejo sincero de praticar os conselhos evangélicos (cf. Mt 19,21), na medida em que são aplicáveis à vida no século. Além disto, significa participação nos bens espirituais de que goza a respectiva família religiosa; costuma ser bento e entregue aos fiéis segundo determinado ritual, tornando-se assim um sacramental, ou seja, objeto que comuni ca a graça em quem o usa com fé e caridade. Vê-se, por conseguinte, que, embora sejam múltiplos os tipos de escapulá rio, têm todos a mesma finalidade: significar e, ao mesmo tempo, fomentar o serviço aprimorado de Deus, que é a grande devoção de todos os cristãos.
2. Os privilégios anexos ao escapulário do Carmo
Dentre os favores espirituais outorgados ao uso do esca pulário, sobressaem os que se prendem ao da Ordem do Carmo.
Quais são precisamente?
Enunciam-se dois: a) o privilégio de uma boa morte; b) a pronta libertação do purgatório.
a) A graça da boa morte teria sido prometida pela SSma. Virgem numa aparição a S. Simão Stock, sexto Superior Geral dos Carmelitas (1242-1265), em Cambridge, aos 16 de julho de 1251. Trazendo em mão o hábito da Ordem, teria dito a excelsa Senhora: «Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo aquele que morrer, revestido por este hábito, será salvo».
b) O privilégio «sabatino» afirma que a Virgem SSma. liberta do purgatório os irmãos filiados à Ordem do Carmelo no primeiro sábado após a morte de cada um. Este favor, dizem, foi revelado pela própria Mãe de Deus ao Papa João XXII, provavelmente na véspera de sua eleição. O mesmo Pontífice terá anunciado aos fiéis tal graça e várias outras concedidas à Ordem do Carmo mediante a bula «Sacratissimo uti culmine» de 3 de março de 1317.
3. Valor histórico e significado religioso de tais privilégios
a) Os documentos sobre os quais se baseia a afirmação dos dois privilégios têm despertado a atenção dos estudiosos, levando-os a perguntar se são fontes históricas de todo fide dignas.
Examinemos o que consta.
O primeiro documento que refere a aparição da Bem-aventurada Virgem a S. Simão Stock, data do ano de 1430 aproximadamente: é o chamado «Viridarium» do Prior Geral Carmelita João Grossi (cf. Daniel a S. Virg. Maria, Speculum Carmelitarum I. Antverpia 1680,131). Entre o ano em que se terá dado a visão (1251) e a data acima, a história não apresenta documento algum que relate o caso.
No ano de 1642 apareceu pela primeira vez em público, por iniciativa do Pe. Provincial João Chéron O. C, uma carta circular de Simão Stock aos religiosos de sua Ordem, carta em que o Prior Geral referia a aparição e as palavras de Maria. Este documento teria sido ditado pelo Santo a seu secretário, Pe. Swanyngton. Denegam fé a esse instrumento os historiado res modernos, inclusive os Carmelitas (cf. Annales Ord. Carm. 1927 e 1929).
Quanto ao privilégio «sabatino», desde o séc. XVII contes ta-se a autenticidade da bula de João XXII que o anuncia ao mundo cristão. Entre a data que este documento traz (1317) e o ano de 1461 não há menção da bula na tradição. O primeiro autor que a deu a conhecer foi o Carmelita Balduíno Leersius (†1483). Hoje em dia não há quem afirme a autenticidade de tal documento. O próprio Pe. Zimmermann na sua coleção de documentos referentes à Ordem do Carmo (Monumenta histó rica Carmelitana 1356-363) renunciou a defendê-la. — No texto mesmo da bula paira dúvida sobre uma das passagens principais: lê-se no original latino que a Virgem SSma. liber tará do purgatório súbito (em breve, sem demora) ou, conforme outros códigos, sabbato, no sábado seguinte à morte, as almas dos seus fiéis.
Ademais notam os historiadores que até o séc. XV os membros da Ordem do Carmo não atribuíam maior importân cia ao uso do escapulário do que os filhos de outras Ordens.
Eis o que, do ponto de vista historiográfico, se poderia dizer sobre as promessas anexas ao escapulário do Carmo.
b) Pergunta-se agora: que resulta disso tudo para a piedade dos fiéis?
Deve-se reconhecer que uma série de Papas, a partir do séc XVI, tem favorecido o uso do escapulário do Carmo, enriquecendo-o com novas indulgências e permitindo sejam anunciadas aos fiéis as duas promessas acima. Ao fazer isso, porém, nenhum Pontífice intencionou dar definição dogmática cobre o assunto; os Papas apenas quiseram fazer da piedosa crença vigente um estímulo para a piedade dos fiéis. As promessas anexas ao escapulário do Carmo, por conseguinte, ficam pertencendo ao setor das revelações particulares, que cada cristão é livre de admitir ou não, seguindo os critérios que lhe pareçam mais fidedignos.
Observe-se, porém, que o privilégio da boa morte (a pri meira das duas promessas) jamais poderá ser entendido em sentido mecânico, como se o uso mesmo do escapulário, inde pendentemente do teor de vida moral do cristão, fosse sufi ciente para garantir a salvação eterna. Não; o portador do escapulário deverá cultivar as virtudes cristãs para que a dita insígnia lhe possa valer como penhor de especial tutela de Maria SSma. na hora da morte. Foi o que o Papa Leão XIII quis inculcar, quando, ao aprovar o Ofício de S. Simão Stock para os católicos ingleses, mandou inserir no texto respectivo uma palavrinha que não se achava no original apresentado a S. Santidade: «Todo aquele que morrer piedosamente trajando esse hábito, não sofrerá as chamas do inferno». Conseqüente mente comenta J.-B. Terrien: «Certamente os antigos consideravam o escapulário como penhor de predestinação, mas não chegavam, como penso, ao ponto de dizer que não restem dúvidas justificadas a respeito da salvação de um pecador que na hora da morte rejeita o amparo da religião, embora tenha trazido até o último suspiro a veste sagrada de Maria» (La Mère de Dieu et la Mère des hommes IV 304).
As boas disposições espirituais são também exigidas por um comentário do privilégio, comentário atribuído a S. Simão Stock: «Conservando, meus irmãos, esta palavra em vossos corações, esforçai-vos por assegurar vossa eleição mediante boas obras e por jamais desfalecer; vigiai em ação de graças por tão grande beneficio; orai incessantemente a fim de que a promessa a mim comunicada se cumpra para a glória da SSma. Trindade... e da Virgem sempre bendita» (cf. Bento XIV, De festis B. V. c. VI §§ 7-8).
No tocante ao segundo privilégio, devem-se observar os termos precisos segundo os quais a Santa Sé se tem referido a ele. Um decreto do S. Ofício datado de 15 de fevereiro de 1615 (sob o Papa Paulo V) e renovado pela S. Congregação das Indulgências a 1° de dezembro de 1885 assinala a atitude definitiva do magistério da Igreja sobre o assunto: sem proferir palavra acerca da autenticidade da controvertida bula de João XXII, admite que a Virgem Maria recobrirá com a sua proteção materna, principalmente no sábado (fórmula devida à ambi güidade do texto acima referido: súbito... sabbato...?), dia consagrado ao seu culto, as almas daqueles que na terra tive rem sido seus fiéis servos.
Aos 4 de julho de 1908, a S. Congregação aprovou uma Súmula de indulgências e privilégios concedidos à Confraria do Escapulário do Carmo, em que se lê verbalmente o seguinte: «O privilégio comumente chamado sabatino, de João XXII, aprovado e confirmado por Clemente VII, Ex clementis, aos 12 de agosto de 1530, por Pio V, Superna dispositione, aos 18 de fevereiro de 1566, por Gregório XIII, Ut laudes, aos 18 de setembro de 1577, e por outros, assim como pelo decreto da S. Inquisição Romana sob Paulo V, aos 20 de janeiro de 1613, declara: 'É permitido aos Padres Carmelitas pregar que os fiéis podem admitir a piedosa crença no auxílio concedido após a morte aos Religiosos e confrades da Asso ciação de Nossa Senhora do Monte Carmelo'. Com efeito, é permitido crer que a SSma. Virgem socorra às almas dos Religiosos e confrades falecidos em estado de graça, contanto que tenham trazido durante a vida o escapulário, tenham guardado a castidade do seu estado e recitado o Ofício Parvo da Virgem ou, se não sabem ler, tenham observado os jejuns da Igreja e praticado a abstinência de carne às quartas e sábados, a menos que a festa de Natal caia num desses dias. As orações contínuas de Maria, seus piedosos sufrágios, seus méritos e sua especial proteção lhes são assegurados após a morte, principalmente no sábado, que é o dia consagrado pela Igreja à SSma. Virgem».
Neste documento chama a nossa atenção, de um lado, o fato de não serem mencionadas nem a aparição da SSma. Virgem nem a bula de João XXII «Sacratissimo uti culmine»; de outro lado, verifica-se que, independentemente desses tópicos, a Santa Sé aprecia a fidelidade ao escapulário do Carmo, mencionando especial proteção de Maria para os verdadeiros devotos do mesmo (o que certamente exclui o porte meramente mecâ nico de tal insígnia); o documento, porém, não fala de libertação do purgatório no primeiro sábado após a morte, preferindo a fórmula mais geral: «especial proteção». — Como quer que seja, a idéia de sábado no purgatório teria que ser entendida em sentido largo ou translato, visto que a sucessão de dias da semana só pode ser critério na terra, onde o tempo é medido pelo movimento dos corpos; no purgatório há apenas almas separadas de seus corpos.
As considerações e conclusões acima talvez causem surpresa em um ou outro dos nossos leitores. Foram contudo ditadas pela objetividade dos documentos e fatos. Não acarretam, de modo algum, detrimento para a piedade. Muito ao contrário; esta tanto mais forte e frutuosa é quanto mais alicerçada sobre a verdade e o «sentire cum Ecclesia», sobre as normas e declarações da Esposa de Cristo. A cada cristão fica a liberdade de se santificar dando fé às promessas anexas ao escapulário do Carmo. A finalidade destas linhas era apenas a de remover qualquer concepção teologicamente errônea a respeito da tradi cional devoção.
BIBLIOGRAFIA:
A. Michel. Scapulaire, em «Dictionnaire de Théologie Catholique» XIV 1. Paris 1939, 1254-9.
K. Bihlmeyer, Skapulier, em «Lexikon für Théologie und Kirche» IX 617.
N. Paulus, Geschichte des Ablasses im Mittelalter II. 1923.
Beringer-Steinen, Les indulgences. Paris 1925.
Aqui você encontra as melhores respostas sobre as principais questões de fé e razão e as melhores respostas contra as críticas que costumam fazer à Igreja Católica. Quase todos os artigos foram extraídos da revista “Pergunte e Responderemos” de autoria de D. Estêvão Bettencourt. Agradecemos aqui a sua gentileza de colocá-los à disposição na internet.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Escapulário do Carmo
Depois do terço, é a principal devoção mariana.
Quem o usar devotamente Nossa Senhora prometeu as maior graças que uma pessoa pode receber aqui na terra: a salvação e ficarmos pouco tempo no Purgatório (se precisarmos passar por ele).
A salvação:
Em 16 de julho de 1251 Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e entregando-lhe o Escapulário prometeu que todos aqueles que o usarem devotamente se salvarão.
Ficar pouco tempo no Purgatório (privilégio sabatino):
À primeira promessa salvação, é preciso acrescentar o chamado privilégio sabatino. Por este privilégio, a pessoa que usar piedosamente o escapulário, Nossa Senhora a tirará do Purgatório (se lá estiver) e a levará para o Céu no sábado seguinte após a morte. Esta promessa da Santíssima Virgem foi comunicada ao papa João XXII e transmitida na bula Sacratissimo ut culmine no dia 3 de março de 1322.
Os privilégios que acompanham o Escapulário do Carmo são:
1 - Quem morrer com o Santo Escapulário do Carmo não padecerá o fogo do inferno;
2 - A Virgem do Carmo livrará o quanto antes, principalmente no sábado depois da morte, à quantos forem ao purgatório morrendo com o Escapulário;
3 - O Escapulário do Carmo é salvação em todos os perigos, prometida pela Virgem Santíssima do Carmo;
4 - Cada vez que se beija o Escapulário, ganham- se 500 dias de indulgência;
5 - O Escapulário é sinal de irmandade com a Virgem Maria;
6 - O Escapulário do Carmo é sinal de paz e do pacto sempre terno de concórdia, garantido por Maria Santíssima;
7 - O Escapulário é sinal de salvação, prometido pela Virgem Maria;
8 - O Escapulário do Carmo está enriquecido pela Igreja com inúmeras indulgências;
9 - O Escapulário do Carmo é um meio simples e prático de honrar à Virgem Maria;
10 - O Escapulário do Carmo é garantia de preservação da fé e da firmeza na devoção à Virgem Maria, devoção que por sua vez é sinal de predestinação.
Para que estas promessas sejam válidas, não basta comprar o Escapulário e usá-lo. É preciso que o sacerdote, através de uma breve cerimônia, faça a sua imposição em cada fiel.
Para um esclarecimento mais profundo, consultar:
http://melhorsobre.blogspot.com/search/label/Escapulário
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Confissão: exame de consciência
Para fazer uma boa confissão é necessário:
1. Examinar a consciência, isto é, recordar na presença de Deus todos os pecados cometidos e ainda não confessados por pensamentos, palavras, atos e omissões, contra os Mandamentos de Deus e da Igreja, e contra as obrigações do próprio estado.
2. Ter dor por ter ofendido a Deus. Consiste num desgosto e numa sincera detestação da ofensa feita a Deus. A dor deve ser: interna, sobrenatural, suma e universal. A dor dos nossos pecados é o mais importante de tudo: se faltar, a confissão é nula.
3.Fazer o propósito de não tornar a pecar. Ter uma firme resolução de não tomar a pecar e de empregar os meios necessários para evitar o pecado.
4. Declarar sinceramente os pecados ao confessar, detalhando a espécie de pecado e o número, se são graves. A acusação deve ser: humilde, sincera, prudente e breve.
5. Cumprir a penitência.
ADULTOS
Oração. Meu Senhor e meu Deus! Dai-me luz para conhecer os meus pecados, as causas deles e os meios de os evitar. Dai-me a fortaleza de os confessar com toda a fidelidade e verdade, para merecer agora o vosso perdão e a graça da perseverança final. Por Jesus Cristo Senhor nosso. Amém.
As perguntas que se seguem pretendem ser apenas um guia para o exame de consciência. Alguns destes pontos não se referem propriamente a pecados, mas a defeitos e más inclinações que são raízes do pecado. Servirão para a luta pessoal e para fazer propósitos concretos. Para discernir com critério seguro o que é grave, o que é leve ou apenas inconveniente, é preciso seguir o juízo da própria consciência, desde que esta esteja bem formada, com um conhecimento seguro da doutrina cristã. Como é freqüente que haja algumas dúvidas, o melhor meio de esclarecê-las é a consulta a um confessor de bom critério.
A Confissão precedente
EXAME PARA AS CRIANÇAS:
O meu comportamento com Deus
CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO
O penitente diz a saudação habitual: "Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo", ou "Abençoai-me, Padre, porque pequei", e se benze.
O sacerdote diz: "O Senhor esteja em teu coração para que, arrependido, confesses os teus pecados".
O sacerdote ou o penitente pode ler ou dizer de cor algumas palavras da Sagrada Escritura sobre a misericórdia de Deus e o arrependimento; por exemplo: "Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu te amo" (Jo 21, 17).
O penitente acusa-se dos seus pecados. O sacerdote dá os conselhos oportunos e impõe a penitência.
O sacerdote convida o penitente a manifestar a contrição. O penitente pode dizer, por exemplo: "Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador".
O sacerdote dá a absolvição:
Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz.
E EU TE ABSOLVO DOS TEUS PECADOS, EM NOME DO PAI, E DO FILHO t E DO ESPIRITO SANTO.
O penitente responde: "Amém".
O sacerdote prossegue:
A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos, as tuas boas obras e a tua paciência na adversidade, sirvam de remédio para os teus pecados, aumento de graça e prêmio da vida eterna. Vai em paz.
Depois de rezar a penitência, pode-se dizer a seguinte:
Oração de agradecimento
Ó bondade, ó misericórdia infinita do meu Deus! Graças Vos rendo por me haverdes perdoado os meus pecados, e de novo os detesto de todo o meu coração.
Concedei-me a graça, meu Salvador, pela virtude do Sacramento da Penitência que acabo de receber, de não recair nestes pecados, e de levar de hoje em diante uma vida toda nova, sempre assistido pela vossa graça e perseverando no vosso amor até a hora da minha morte. Amém.
1. Examinar a consciência, isto é, recordar na presença de Deus todos os pecados cometidos e ainda não confessados por pensamentos, palavras, atos e omissões, contra os Mandamentos de Deus e da Igreja, e contra as obrigações do próprio estado.
2. Ter dor por ter ofendido a Deus. Consiste num desgosto e numa sincera detestação da ofensa feita a Deus. A dor deve ser: interna, sobrenatural, suma e universal. A dor dos nossos pecados é o mais importante de tudo: se faltar, a confissão é nula.
3.Fazer o propósito de não tornar a pecar. Ter uma firme resolução de não tomar a pecar e de empregar os meios necessários para evitar o pecado.
4. Declarar sinceramente os pecados ao confessar, detalhando a espécie de pecado e o número, se são graves. A acusação deve ser: humilde, sincera, prudente e breve.
5. Cumprir a penitência.
ADULTOS
Oração. Meu Senhor e meu Deus! Dai-me luz para conhecer os meus pecados, as causas deles e os meios de os evitar. Dai-me a fortaleza de os confessar com toda a fidelidade e verdade, para merecer agora o vosso perdão e a graça da perseverança final. Por Jesus Cristo Senhor nosso. Amém.
As perguntas que se seguem pretendem ser apenas um guia para o exame de consciência. Alguns destes pontos não se referem propriamente a pecados, mas a defeitos e más inclinações que são raízes do pecado. Servirão para a luta pessoal e para fazer propósitos concretos. Para discernir com critério seguro o que é grave, o que é leve ou apenas inconveniente, é preciso seguir o juízo da própria consciência, desde que esta esteja bem formada, com um conhecimento seguro da doutrina cristã. Como é freqüente que haja algumas dúvidas, o melhor meio de esclarecê-las é a consulta a um confessor de bom critério.
A Confissão precedente
- Há quanto tempo confessei-me pela última vez? Deixei algum pecado grave por confessar? Cumpri a penitência?
- Tenho posto em dúvida ou negado deliberadamente alguma verdade de fé?
- Desesperei da minha salvação ou abusei da confiança em Deus, presumindo que Ele não me abandonaria, para pecar com maior tranqüilidade?
- Murmurei externa ou internamente contra o Senhor, quando me aconteceu algo desagradável?
- Abandonei os meios necessários para a salvação: a oração, os sacramentos, etc?
- Falei sem respeito das coisas santas, da Igreja e dos seus sacerdotes, e dos Sacramentos?
- Pratiquei atos de superstição ou espiritismo?
- Recebi indignamente algum Sacramento?
- Li livros, revistas ou jornais que vão contra a fé? Dei-os a ler a outras pessoas?
- Freqüentei ou pertenço a alguma associação contrária à religião?
- Deixei-me levar pela vergonha quando foi necessário confessar a fé diante dos outros?
- Esforço-me por adquirir uma cultura religiosa que me permita ser testemunha de Cristo com o exemplo e com a palavra?
- Blasfemei ou disse palavras injuriosas contra Deus, contra os Santos ou contra as coisas santas? Diante de outras pessoas?
- Fiz algum voto, promessa ou juramento, e deixei de cumpri-lo por minha culpa?
- Jurei sem necessidade? Jurei fazer alguma coisa injusta ou ilícita? Fiz um juramento falso? Reparei os prejuízos que daí tenham podido advir?
- Faltei à Missa num domingo ou festa de guarda sem motivo suficiente? Distraí-me voluntariamente durante a Missa ou cheguei tão tarde que não cumpri o preceito?
- Trabalhei nesses dias corporalmente (ou mandei trabalhar os outros) sem necessidade grave, durante um intervalo de tempo considerável?
- Impedi que alguém que dependesse de mim assistisse à Santa Missa?
- Guardei jejum e abstinência nos dias preceituados pela Igreja Católica?
- Cumpri o preceito de confessar os pecados mortais pelo menos uma vez ao ano?
- Tive em conta que só se pode receber a absolvição coletiva nos casos de emergência em que a Igreja o permite? Se, num desses casos, recebi a absolvição coletiva, cumpri com a obrigação de confessar individualmente a um sacerdote todos os pecados mortais que naquela ocasião não pude confessar?
- Calei na Confissão, por vergonha, algum pecado grave? E depois disso comunguei alguma vez?
- Recebi a Sagrada Comunhão no tempo estabelecido para cumprir com o preceito pascal? Confessei-me para fazê-lo em estado de graça?
- Guardei a disposição do jejum eucarístico, uma hora antes do momento da Comunhão?
- Desobedeci aos meus pais e legítimos superiores em coisas importantes?
- Tenho uma preocupação desordenada de independência, que me leva a receber mal as indicações dos meus pais?
- Maltratei ou ameacei os meus pais com palavras ou ações, ou desejei-lhes algum mal?
- Deixo-me dominar pelo mau gênio com freqüência e sem motivos justificados?
- Briguei com os meus irmãos? Deixei de falar--lhes e de reconciliar-me com eles?
- Dei mau exemplo aos meus irmãos ? Senti inveja se se destacaram mais do que eu em algum aspecto?
- Fui preguiçoso no estudo, esquecido da responsabilidade que me cabe perante o esforço dos meus pais pela minha formação?
- Dei mau exemplo aos meus filhos ou subordinados, não cumprindo os meus deveres religiosos, familiares, sociais ou profissionais?
- Deixei de corrigir com firmeza e prontidão os defeitos dos meus filhos? Ameacei-os ou maltratei-os com palavras e obras ou desejei-lhes algum mal?
- Corrijo sempre os meus filhos com justiça e por amor, ou deixo-me levar por motivos egoístas ou de vaidade pessoal, porque me fazem ficar mal diante dos outros, porque interrompem o meu descanso, etc?
- Desleixei a minha obrigação de ajudar os filhos a cumprir os seus deveres religiosos?
- Abusei da minha autoridade, obrigando-os a receber os Sacramentos, não reparando que poderiam fazê-lo sem as disposições convenientes, por vergonha ou respeitos humanos?
- Sou inconstante na preocupação pela sua formação religiosa?
- Permito que trabalhem, estudem ou descansem em lugares onde pode haver perigo para a sua alma ou para o seu corpo? Descurei a vigilância natural nas reuniões de rapazes e moças que se realizam na minha casa, deixando-os sozinhos? Sou imprudente na orientação dos seus divertimentos?
- Tolerei escândalos ou perigos morais e físicos entre pessoas que vivem na minha casa?
- Criei conflitos com os filhos, dando excessiva importância a coisas que se podem vencer com tempo e bom humor? Ou antes soube fazer-me amigo dos meus filhos?
- Fui pouco amável na vida de família? Zanguei-me com a minha mulher (ou com o meu marido)? Tratei-a(o) mal, com palavras ou com obras? Diminuí a sua autoridade, repreendendo-a(o), contradizendo-a(o) ou discutindo com ela(ele) diante dos filhos?
- Descuidei a fé na Providência divina? Ao mesmo tempo, desinteressei-me de ganhar o suficiente para poder ter ou educar mais filhos?
- Deixei de ajudar, dentro das minhas possibilidades, os meus familiares nas suas necessidades espirituais ou materiais?
- Tenho inimizade, ódio ou rancor contra alguém?
- Deixei de falar com alguém e neguei-me à reconciliação, ou não faço o possível por consegui-la?
- Alimento antipatias ou ódios pessoais por diferenças de opinião em matérias políticas ou profissionais?
- Fiz ou desejei um mal grave a alguém? Alegrei-me com as desgraças alheias? Zombei dos outros, tive inveja deles, critiquei-os, incomodei-os ou fiz pouco deles? Deixei-me levar pela ira, magoando ou humilhando os outros?
- Maltratei os outros com palavras ou ações? Peço coisas com maus modos, faltando à caridade?
- Cheguei a ferir ou tirar a vida do próximo? Fui imprudente na condução de veículos? Aconselhei a alguém a prática do aborto, ou colaborei, com qualquer tipo de ajuda, na mesma?
- Desleixei a minha saúde? Atentei contra a minha vida?
- Embriaguei-me, comi ou bebi em excesso, ou tomei drogas?
- Desejei morrer, sem me submeter à Divina Providência?
- Desinteressei-me do bem do meu próximo, deixando de adverti-lo de algum grave perigo material ou espiritual em que se encontrava, ou de corrigi-lo como exige a caridade cristã? Descurei o meu trabalho, faltando à justiça em coisas importantes? Estou disposto a reparar o prejuízo que daí tenha podido resultar?
- Abusei da confiança dos meus superiores? Prejudiquei os meus superiores, subordinados ou colegas, causando-lhes um dano grave?
- Tolerei abusos ou injustiças que tinha obrigação de impedir?
- Deixei que, pela minha preguiça, se produzissem prejuízos no meu trabalho? Descurei o meu rendimento em coisas importantes, prejudicando com isso as pessoas para quem trabalho?
- Entretive-me com pensamentos ou recordações desonestas?
- Alimentei maus desejos contra a virtude da castidade, embora não os tenha posto em prática? Havia alguma circunstância na pessoa a quem se dirigiam (parentesco, matrimônio, consagração a Deus, etc.) que os tornasse mais graves?
- Tive conversas imorais? Fui eu quem as começou?
- Assisti a diversões que me colocaram em ocasião próxima de pecar? Tenho em conta que expor-me a essas ocasiões já é pecado?
- Deixei de informar-me sobre a classificação moral de espetáculos, filmes, ou revistas e livros, antes de assistir a eles ou de lê-los, para evitar a ocasião próxima de pecado ou o perigo de deformação da consciência?
- Descuido os pormenores de modéstia e pudor, que são garantia da castidade?
- Entretive-me com olhares impuros ou aceitei sensações impuras?
- Cometi alguma ação impura? Quantas vezes? Sozinho ou com outra pessoa? Do mesmo sexo ou do oposto? Havia alguma circunstância de parentesco, etc, que a tornasse especialmente grave? Essas relações tiveram alguma conseqüência? Fiz alguma coisa para a impedir depois de se ter formado uma nova vida?
- Tenho amizades que são uma ocasião habitual de pecado? Estou disposto a pôr fim a elas?
- Se estou namorando, o namoro me leva a afastar-me de Deus, ou antes aproximo-me com mais freqüência dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, para ter mais graça de Deus?
- Usei do matrimônio indevidamente? Neguei ao meu cônjuge os seus direitos? Faltei à fidelidade conjugai por pensamentos ou ações?
- Usei do matrimônio somente nos dias em que sei que não pode haver descendência, não havendo razões graves para isso?
- Tomei remédios para evitar os filhos? Aconselhei os outros a tomá-los?
- Usei outros métodos antinaturais, ou fiz alguma operação para evitar filhos?
- Influí de algum modo sobre os outros — com conselhos, piadas, atitudes, etc. — para criar um clima antinatalista?
- Roubei algum objeto ou alguma quantia em dinheiro? Reparei os prejuízos causados ou restituí as coisas roubadas, na medida das minhas possibilidades?
- Ajudei alguém a roubar? Havia alguma circunstância agravante, como por exemplo tratar-se de um objeto sagrado? A quantia ou valor das coisas roubadas era importante?
- Retenho o alheio contra a vontade do seu dono?
- Caí no vício do jogo, pondo em risco ou prejudicando a economia familiar? Deixei de cumprir devidamente as obrigações do meu trabalho, que justificam o ordenado ou o salário que recebo? Deixei de prestar à Igreja a ajuda conveniente? Dei esmolas de acordo com a minha posição econômica?
- Defraudei a minha mulher (o meu marido) nos seus bens?
- Retenho ou atraso indevidamente o pagamento dos salários ou dos ordenados que me incumbe pagar?
- Retribuí injustamente o trabalho dos outros? Deixei-me levar pelo favoritismo ou distinção de pessoas, faltando à justiça, no desempenho dos cargos ou funções públicas? Deixei de cumprir com exatidão os meus de-veres sociais; por exemplo, o pagamento dos seguros sociais dos meus empregados, etc? Deixei de pagar os impostos que são de justiça?
- Fui omisso em procurar evitar, na medida das minhas possibilidades, as injustiças, subornos, escândalos, roubos, vinganças, fraudes e outros abusos que prejudicam a convivência social?
- Prejudiquei alguém com enganos, coações, etc. nos contratos ou relações comerciais? Reparei o prejuízo causado ou tenho intenção de fazê-lo?
- Dei o meu apoio a programas de ação social e política imorais ou anticristãos?
- Disse mentiras? Reparei os prejuízos que as minhas mentiras tenham podido causar? Minto habitualmente com a desculpa de que se trata de coisas de pouca importância?
- Revelei sem motivo justo graves defeitos alheios que, embora certos, não eram conhecidos? Reparei de algum modo os prejuízos assim causados; por exemplo, falando depois dos aspectos positivos dessa pessoa?
- Caluniei ou deixei caluniar, atribuindo ao próximo defeitos que não eram verdadeiros? Já reparei os males causados ou estou disposto a fazê-lo?
- Revelei segredos importantes dos outros, descobrindo-os sem justa causa? Reparei o prejuízo que daí resultou?
- Falei mal dos outros por frivolidade, inveja ou por ter-me deixado levar pelo temperamento?
- Disse mal dos outros — pessoas ou instituições — baseando-me apenas em boatos? Quer dizer, cooperei deste modo com a calúnia e a murmuração?
- Tenho presente que a diversidade de opiniões políticas, profissionais ou ideológicas, não deve ofuscar-me a ponto de julgar ou falar mal do próximo, e que essas divergências não são motivo para manifestar os seus defeitos morais, exceto se o bem comum assim o exigir?
EXAME PARA AS CRIANÇAS:
O meu comportamento com Deus
- Rezo todos os dias, devagar e com atenção, as orações da manhã e da noite? Lembro-me de Deus durante o dia? Tenho o mau hábito de falar dEle com pouco respeito?
- Assisto à Santa Missa aos domingos e dias de guarda sem preguiça? Escuto com atenção a Palavra de Deus? Acompanho bem as orações? Chego tarde à Missa ou assisto de má vontade, atrapalhando os outros?
- Estudo bastante o catecismo? Tenho desejos de conhecer melhor Nosso Senhor? Quero fazer sempre o que Ele diz e comportar-me como Ele quer?
- Na igreja, comporto-me com respeito? Lembro-me de que é a casa de Deus, ou corro, converso, passo pelo altar sem cumprimentar Jesus no sacrário com uma genuflexão bem feita? Vou à igreja mal vestido, com uma roupa imprópria?
- Amo Nossa Senhora e converso todas as noites com Ela? Rezo por exemplo a Ave-Maria, pensando que Ela é a Mãe de Jesus e me ama como a um filho? Falo todas as manhãs com o Anjo da Guarda para que me acompanhe e me proteja durante todo o dia?
- Quando recebo uma boa notícia, agradeço ao Senhor todas as coisas boas que Ele me deu? Ou penso que fui eu que fiz tudo e esqueço que é um presente do meu Pai-Deus?
- Sou carinhoso com o meu pai e a minha mãe? Sei agradecer o carinho que eles têm por mim? Ou respondo com má educação e os deixo tristes com o meu comportamento?
- Obedeço rapidamente aos meus pais, sem reclamar? Sei que aquilo que me dizem é para o meu bem? Falo sempre a verdade, mesmo que tenha que passar vergonha? Gosto de ajudar em casa, ou quero que todos atendam aos meus pedidos e caprichos? Trato com respeito os meus avós e as pessoas mais velhas?
- Sou egoísta com as minhas coisas? Quero-as só para mim, ou sei emprestá-las sempre e dividi-las com os meus irmãos e amigos?
- Na escola, comporto-me bem com todos? Assisto bem às aulas, ou perco o tempo e atrapalho os meus colegas? Dedico ao estudo o tempo suficiente?
- Sou mandão e brigo facilmente com os meus companheiros? Nas brincadeiras, quero vencer a todo o custo, mesmo roubando? Sou leal e respeito as regras do jogo? Sei perder sem ficar com raiva?
- Sei ser amigo dos meus companheiros? Ajudo-os nas necessidades? Não caçoo deles? Sei perdoá-los quando me fazem um pequeno desaforo? Ou penso só em mim e nas minhas coisas, e tenho inveja das coisas que eles fazem?
- Sou sincero? Falo sempre a verdade, mesmo que me custe? Ou pelo contrário invento coisas para ficar bem? Minto, digo que fiz coisas certas, quando na verdade fiz tudo errado e mal feito? Falo sempre a verdade aos meus pais?
- Peguei coisas que não são minhas? Roubei alguma coisa, mesmo de pouco valor? Uso mal as minhas coisas, desperdiçando-as ou estragando-as? Deixo de pegar para mim algumas coisas de que gosto, para oferecê-las a Jesus e dá-las aos pobres?
- Faço logo as coisas que devo? Tenho má vontade e preguiça, escolho as coisas mais fáceis e deixo as outras para a última hora? Deixo tudo pela metade, faço mal ou não faço?
- Sou desordenado? Deixo as coisas que uso jogadas de qualquer jeito? Sei ter e seguir um horário? Sou guloso e caprichoso? Estou sempre reclamando? Ou sei contentar-me com o que me dão?
- Deixei-me levar pela curiosidade ruim? Olhei revistas e fotografias indecentes, ou programas de televisão que não prestam? Sei ter respeito por mim mesmo e pelo meu corpo? Evito gestos ou atos contrários à santa pureza? Cuido da higiene e da modéstia?
- Uso uma linguagem grosseira? Ofendo os outros? Sou mal-educado com os meus pais e professores?
CELEBRAÇÃO DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO
O penitente diz a saudação habitual: "Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo", ou "Abençoai-me, Padre, porque pequei", e se benze.
O sacerdote diz: "O Senhor esteja em teu coração para que, arrependido, confesses os teus pecados".
O sacerdote ou o penitente pode ler ou dizer de cor algumas palavras da Sagrada Escritura sobre a misericórdia de Deus e o arrependimento; por exemplo: "Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu te amo" (Jo 21, 17).
O penitente acusa-se dos seus pecados. O sacerdote dá os conselhos oportunos e impõe a penitência.
O sacerdote convida o penitente a manifestar a contrição. O penitente pode dizer, por exemplo: "Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador".
O sacerdote dá a absolvição:
Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz.
E EU TE ABSOLVO DOS TEUS PECADOS, EM NOME DO PAI, E DO FILHO t E DO ESPIRITO SANTO.
O penitente responde: "Amém".
O sacerdote prossegue:
A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos, as tuas boas obras e a tua paciência na adversidade, sirvam de remédio para os teus pecados, aumento de graça e prêmio da vida eterna. Vai em paz.
Depois de rezar a penitência, pode-se dizer a seguinte:
Oração de agradecimento
Ó bondade, ó misericórdia infinita do meu Deus! Graças Vos rendo por me haverdes perdoado os meus pecados, e de novo os detesto de todo o meu coração.
Concedei-me a graça, meu Salvador, pela virtude do Sacramento da Penitência que acabo de receber, de não recair nestes pecados, e de levar de hoje em diante uma vida toda nova, sempre assistido pela vossa graça e perseverando no vosso amor até a hora da minha morte. Amém.
sábado, 13 de março de 2010
Deus, provas da sua existência
Veja nestes videos as famosas provas racionais da existência de Deus:
sábado, 17 de outubro de 2009
Por que não sou ateu
(Revista Pergunte e Responderemos, PR 361/92)
Em síntese: O artigo examina três razões que podem levar alguém a não ser ateu: 1) o testemunho da ciência contemporânea; 2) a pré-história e a história da humanidade; 3) a insuficiência do homem para bastar a si mesmo. Considera outrossim cinco dificuldades para crer: 1) o mal no mundo; 2) o desconhecimento da doutrina da fé; 3) obstáculos de ordem moral; 4) o contratestemunho de pessoas de fé; 5) o claro-escuro da fé.
O ateísmo é uma atitude que se vai difundindo em nossa sociedade, nem sempre sob a forma de militância anti-religiosa, mas freqüentemente como indiferentismo; dir-se-ia que o homem contemporâneo não precisa mais de Deus, pois consegue, mediante os avanços da ciência e da técnica, criar para si mesmo um bem-estar que lhe dá certa satisfação, tida como suficiente.
Esta atitude suscita a muitos as questões: "Por que não és ateu também tu? Será que ainda precisas das muletas ou do tapa-buraco da Religião para te equilibrares na vida?"
A resposta a tais perguntas fará o conteúdo deste artigo, que vamos distribuir em duas Partes: I. Por que não sou ateu? II. Dificuldades para crer hoje em dia.
I. POR QUE NÃO SOU ATEU?
Três principais razões me impedem de ser ateu:
1.1. A Ciência Contemporânea
Houve tempo em que se dizia que a ciência é inimiga da fé. Atualmente, ao contrário, verifica-se que a ciência tende a reconhecer cada vez mais os vestígios de uma Inteligência e de um Poder Supremos, que têm o nome DEUS. O mundo, com suas dimensões vertiginosamente grandes e pequenas, não pode ser produto do acaso, como hoje geralmente se reconhece, mas dá testemunho do Criador,... Criador distinto da natureza e anterior a ela, não força cega que vai evoluindo e se identifica com o próprio mundo. São muitos os testemunhos de grandes cientistas que apontam a existência de Deus:
Max Plank (1858-1947), físico alemão, criador da teoria dos quanta, Prêmio Nobel 1928:
"Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradições entre Ciências Naturais e Religião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas completam-se e apelam uma para a outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão":
Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da teoria da relatividade, Prêmio Nobel 1921:
"Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois ele não pode admitir que ele seja o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que ele contempla. No universo, incompreensível como ele é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. - A opinião corrente de que eu sou ateu, baseia-se sobre grande equívoco. Quem a quisesse depreender de minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento":
Werner von Braun (1912-1977), físico alemão e pesquisador da energia atômica:
"Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens espaciais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos de crer em Deus. - Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e Religião são, pois, irmãs e não poios antitéticos".
M. Hartmann (1876-1962), Diretor do Instituto de Biologia Max Plank:
"Os resultados da mais desenvolvida ciência da natureza ou da Física não levantam a mínima objeção à fé num Poder que está por trás das forças naturais e que as rege. Tudo isto pode aparecer mesmo ao mais critico pesquisador como uma grandiosa revelação da natureza, levando-a a crer numa todo-poderosa Sabedoria que se acha por trás desse mundo sábio".
Guglielmo Marconi (1874-1937), físico italiano, inventor da telegrafia sem fio, Prêmio Nobel 1909:
"Declaro com ufania que sou homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como cientista".
A.S. Eddington (1882-1946), físico e astrônomo britânico: "A Física moderna leva-nos necessariamente para Deus".
Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor no campo da Física, com mais de 2.000 patentes:
"Tenho enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles: Deus!"
Tais testemunhos se poderiam multiplicar. Falam eloqüentemente.
1.2. Pré-história e História da Humanidade
Quem estuda a pré-história, sabe que os vestígios do homem pré-histórico são três: 1) a confecção de instrumentos burilados (pedra lascada para ser machado, arma, balaço...); 2) produção do fogo; 3) sepultamento dos mortos.
Com efeito. O sepultamento dos mortos está entre as primeiras expressões do ser humano, como a fabricação de instrumentos rudimentares. Isto quer dizer que, logo que a inteligência humana desponta, ela se manifesta também pelo respeito aos mortos (coisa que os animais irracionais não praticam); o respeito aos mortos, por sua vez, está associado à noção de vida póstuma, vida com a Divindade.
Por conseguinte, desde que o homem é homem, ele se revela religioso; a fé (bem ou mal estruturada) lhe é congênita. Por isto também ela se manifestou em toda a história da humanidade. O fenômeno do ateísmo é relativamente recente; tal fenômeno não pode ser tido como indício de progresso ou aperfeiçoamento da humanidade, como se dirá sob o título seguinte.
1.3. O Homem não basta a si mesmo
As aspirações, inatas no homem, à Vida plena, à Felicidade integral, à Verdade sem erro, ao Amor sem traição, à Bondade sem falhas... não são preenchidas pelos bens passageiros desta vida. O homem não encontra em si nem nas coisas visíveis que o cercam, a resposta para os seus anseios mais espontâneos. A resposta insofismável para as perguntas básicas "De onde venho? Para onde vou?" não lhe é dada por criatura alguma. Daí a necessidade de se admitir um Absoluto sem deficiências, que seja o Norte polarizador das aspirações do homem; esse Norte está fora do homem; é Deus, ao qual diz S. Agostinho: "Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti" (Confissões 11).
Estas afirmações são comprovadas pela recente experiência dos países do Leste europeu: tiveram governos que tentaram organizar toda a sociedade incutindo a não existência de Deus... Tais governos implodiram, fracassaram fragorosamente. Querer que o homem viva prescindindo de Deus equivale a sufocar o que nele há de mais autêntico, como nota o grande psicólogo Carl Gustav Jung (1875-1961):
"Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos,, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu a seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria":
O afastamento de Deus parece desmantelar o ser humano, tirando-lhe o seu eixo ou referencial; só a recuperação da fé recompõe a personalidade.
Seja citado outrossim o texto do Cardeal Josef Ratzinger, que observa a necessidade que temos, de encontrar um TU,... um TU que nos responda cabalmente e que não achamos em criatura alguma:
"A solidão é, sem dúvida, uma das raízes básicas de que surge o encontro do homem com Deus. Onde o homem experimenta a solidão, verifica, ao mesmo tempo, quanto a sua vida representa um grito pelo tu e quão pouco o homem é apto a ser um puro eu, encerrado em si mesmo.
A solidão pode manifestar-se ao homem em profundezas diferentes. Primeiro, ela satisfaz-se com o encontro de um tu humano.
Mas desdobra-se um processo paradoxal descrito por Claudel: cada tu que o homem encontra, revela-se finalmente como uma promessa irrealizada e irrealizável, porque todo tu, no fundo, representa de novo uma desilusão; há um ponto em que encontro nenhum é capaz de vencer a derradeira solidão. E exatamente o achar e o ter-achado voltam a ser um retorno à solidão, um grito pelo tu real e absoluto' (Introdução ao Cristianismo, São Paulo 1970, p. 68).
Examinemos agora as principais
II. DIFICULDADES PARA CRER
Consideraremos cinco focos problemáticos:
II. 1. O Mal no Mundo
Muitas pessoas perguntam: "Pode Deus existir, se há tanta miséria e maldade no mundo que Ele criou?"
Respondemos: o mal não é uma realidade positiva; é, antes, uma carência ou a falta de algo que deveria existir e não existe. Assim a cegueira é um mal, porque é carência de visão em quem a deveria ter; a violência é um mal porque é carência da finalidade devida no comportamento de um homem inteligente e hábil...
Isto significa que o mal não tem causa direta. Ele só pode ser causado indiretamente, indiretamente por um agente limitado, capaz de falhar. Ora, por definição, Deus é perfeito ou incapaz de falhar; por isto não pode ser causa - nem indireta - do mal; só uma criatura pode agir com falhas ou agir mal.
É claro, porém, que, ao produzir as suas criaturas, Deus só podia criar seres limitados, falíveis, suscetíveis de errar. Não pode haver dois seres infinitamente perfeitos e infalíveis, porque não pode haver dois deuses.
Todavia o Senhor não é impassível perante o mal que as criaturas sofrem. Diz S. Agostinho que "Ele nunca permitiria o mal se não tivesse recursos para tirar do mal bens ainda maiores". A fé cristã o atesta apontando para a figura do Cristo que assume a dor e a morte do homem, a fim de transfigurá-las mediante a ressurreição.
II. 2. Desconhecimento da Doutrina da Fé
Outro obstáculo à fé é o desconhecimento da sua mensagem ou os mal-entendidos a respeito daquilo que a fé ensina. Pode haver pessoas que só conheçam a religião infantilmente apresentada e, por isto, a rejeitam em nome da razão esclarecida. Uma vez, porém, elucidados os pontos obscuros, tais pessoas podem perceber que a fé não é ridícula nem alienante, mas é a expressão mais nobre da personalidade, pois implica um ato da nossa faculdade mais digna - a inteligência (não um sentimento cego) - aplicada ao Ser mais digno - o Absoluto, o Eterno, Deus.
II. 3. Obstáculos de Ordem Moral
Muitas vezes o ato de fé encontra resistência no ser humano, não porque sérias objeções teóricas se lhe oponham, mas porque tal pessoa cede a um tipo de vivência incompatível com a fé. Diz a sabedoria popular: "Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive". Isto quer dizer que uma pessoa de brio que pense religiosamente, mas viva de modo destoante, deve sentir a necessidade de superar essa incoerência; ela o fará ou adaptando sua vida ao seu pensamento religioso ou, se não tiver forças para tanto, adaptando o seu modo de pensar ao seu modo de viver desregrado.
Este último caso, em nossos dias, é assaz freqüente, pois o ritmo de vida da sociedade incute o hedonismo ou a busca de prazer (a qualquer preço). Incute também cobiça ou a sofreguidão de ter mais, que deteriora o ser ou o porte ético-religioso do indivíduo. Assim se explica que várias pessoas, após anos de fé tranqüila, repentinamente abandonem a religião; fazem-no não por terem lido tal ou tal livro ateu, mas simplesmente porque foram cedendo a impulsos e paixões desordenados.
II. 4. O Contratestemunho das Pessoas de Fé
É certo que também as contradições na vivência das pessoas religiosas escandalizam e afastam a quem as observa. A propósito diremos que, sem dúvida, o testemunho coerente das pessoas religiosas facilita a adesão de fé dos observadores, ao passo que o mau exemplo a dificulta. Todavia quem crê, deve dar-se conta de que:
- crê porque descobriu a Deus e deseja responder ao Bem Supremo. Este é o traço central de toda profissão de fé religiosa;
- crê, porém, em companhia de seres humanos, aos quais é inerente a fragilidade. Essa fragilidade, contudo, não impede que cada pessoa fiel encontre em Deus a sua plena resposta. Deus se dá a quem o procura, independentemente da conduta dos companheiros de caminhada.
II. 5. O Claro-escuro da Fé
As proposições da fé são claro-escuras, nunca evidentes como 2+2 = 4. Sem dúvida, elas têm suas credenciais, que as tornam acreditáveis e que todo homem pode investigar; se o fizer, chegará à conclusão de que é razoável ou é inteligente crer. Por isto, quando acredito, não abdico da minha razão, mas, ao contrário, exercito a minha inteligência; esta me diz que a Verdade não acaba quando acaba meu raio de percepção intelectual. A fé ultrapassa o alcance da minha inteligência, mas não lhe contradiz; apenas leva a ulteriores etapas a demanda da Verdade.
O fato de que as verdades da fé ultrapassam o alcance da nossa inteligência, de um lado, nos deixa sôfregos e insatisfeitos; mas, de outro lado, é fonte de alegria e paz. Com efeito, como diz Pascal, o homem foi feito para se ultrapassar constantemente ou para se realizar em algo maior do que ele mesmo; o homem é resposta pequena demais para o próprio homem; só o Absoluto ou Deus o sacia.
Os pensadores gregos perceberam este paradoxo, quando definiram o homem como um "ente de fronteira", posto em equilíbrio instável entre os animais e os deuses; sim, para os gregos, os deuses eram consumados em sua existência imortal e bem-aventurada; os animais também bastam a si mesmos, desde que encontrem alimento e o necessário para sobreviver. O homem não é assim: nem goza da satisfação dos deuses nem se dá por realizado apenas com a sua existência animal; ele é repuxado, de um lado, pelo peso da sua animalidade e, de outro lado, pela insaciável sede do Absoluto; não lhe basta viver simplesmente as dimensões do homem terrestre para ser autenticamente humano. Se há consumação para o homem, há de ser num valor que ultrapasse os limites da sua natureza. Em conseqüência, não há por que nos assustarmos quando verificamos que a mensagem da fé é trans-racional; é precisamente esta nota que permite à fé levar o homem à sua genuína realização; uma mensagem meramente filosófica pouco significado teria no caso.
Estas ponderações explicam o porquê do incômodo resultante do claro-escuro da fé: é condição para que a nossa entrega a Deus tenha o valor de um gesto livre; é também o indicio da autenticidade mesma da fé. A mensagem de Deus é suficientemente clara para que a adesão do homem seja razoável e inteligente (não cega, nem meramente sentimental), mas é também suficientemente obscura para que o nosso Sim seja livre. Deus quer ser aceito e amado livremente por criaturas livres. Somente com o progresso da vida espiritual, com o amadurecimento e a consolidação da fé é que a penumbra se vai clareando, as sombras se vão dissipando até que cederão um dia à plenitude da luz ou à visão beatifica.
III. CONCLUSÃO
Não sou ateu, porque sei que, se procurasse viver sem Deus, sem a convicção de que existe um Bem Infinito que me fez e aguarda, eu não poderia responder às questões fundamentais de todo ser humano: "Donde venho? Para onde vou? Por que trabalhar? Por que sofrer? Por que ser honesto?"
Tal convicção não é muleta nem tapa-buraco em meu comportamento. Se fosse muleta, o homem sem Deus seria mais ele mesmo, mais adulto e maduro. Ora a experiência prova justamente o contrário; o homem sem Deus pode ser uma pessoa momentaneamente tranqüila, mas cedo ou tarde é chamada a um confronto com a questão do sentido da vida: Vale a pena viver, lutar em prol do bem e sofrer, para um dia extinguir-se sem mais, como a chama de um pavio? - Responder sim a esta pergunta é antinatural. Podemos crer que, se em nós existem aspirações naturais ao Transcendente, elas não são vãs. Convenço-me disto quando olho em torno de mim e observo que, se nos homens existe olho, também existe luz (resposta para a aspiração natural do olho); se nos homens existe ouvido, existe som; se nos homens existe pulmão, existe ar; se nos homens existe estômago, existe alimento. E digo: Por conseguinte, se nos homens existem fome e sede inatas de Vida, de Felicidade, de Amor, de Bondade, de Verdade, deve haver... a Vida, a Felicidade, o Amor, a Bondade, a Verdade, que, em última análise, é Deus. Em caso contrário, o homem seria a mais absurda e miserável de todas as criaturas - o que é falso.
Em síntese: O artigo examina três razões que podem levar alguém a não ser ateu: 1) o testemunho da ciência contemporânea; 2) a pré-história e a história da humanidade; 3) a insuficiência do homem para bastar a si mesmo. Considera outrossim cinco dificuldades para crer: 1) o mal no mundo; 2) o desconhecimento da doutrina da fé; 3) obstáculos de ordem moral; 4) o contratestemunho de pessoas de fé; 5) o claro-escuro da fé.
O ateísmo é uma atitude que se vai difundindo em nossa sociedade, nem sempre sob a forma de militância anti-religiosa, mas freqüentemente como indiferentismo; dir-se-ia que o homem contemporâneo não precisa mais de Deus, pois consegue, mediante os avanços da ciência e da técnica, criar para si mesmo um bem-estar que lhe dá certa satisfação, tida como suficiente.
Esta atitude suscita a muitos as questões: "Por que não és ateu também tu? Será que ainda precisas das muletas ou do tapa-buraco da Religião para te equilibrares na vida?"
A resposta a tais perguntas fará o conteúdo deste artigo, que vamos distribuir em duas Partes: I. Por que não sou ateu? II. Dificuldades para crer hoje em dia.
I. POR QUE NÃO SOU ATEU?
Três principais razões me impedem de ser ateu:
1.1. A Ciência Contemporânea
Houve tempo em que se dizia que a ciência é inimiga da fé. Atualmente, ao contrário, verifica-se que a ciência tende a reconhecer cada vez mais os vestígios de uma Inteligência e de um Poder Supremos, que têm o nome DEUS. O mundo, com suas dimensões vertiginosamente grandes e pequenas, não pode ser produto do acaso, como hoje geralmente se reconhece, mas dá testemunho do Criador,... Criador distinto da natureza e anterior a ela, não força cega que vai evoluindo e se identifica com o próprio mundo. São muitos os testemunhos de grandes cientistas que apontam a existência de Deus:
Max Plank (1858-1947), físico alemão, criador da teoria dos quanta, Prêmio Nobel 1928:
"Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradições entre Ciências Naturais e Religião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas completam-se e apelam uma para a outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão":
Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da teoria da relatividade, Prêmio Nobel 1921:
"Todo profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois ele não pode admitir que ele seja o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que ele contempla. No universo, incompreensível como ele é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. - A opinião corrente de que eu sou ateu, baseia-se sobre grande equívoco. Quem a quisesse depreender de minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento":
Werner von Braun (1912-1977), físico alemão e pesquisador da energia atômica:
"Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens espaciais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos de crer em Deus. - Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e Religião são, pois, irmãs e não poios antitéticos".
M. Hartmann (1876-1962), Diretor do Instituto de Biologia Max Plank:
"Os resultados da mais desenvolvida ciência da natureza ou da Física não levantam a mínima objeção à fé num Poder que está por trás das forças naturais e que as rege. Tudo isto pode aparecer mesmo ao mais critico pesquisador como uma grandiosa revelação da natureza, levando-a a crer numa todo-poderosa Sabedoria que se acha por trás desse mundo sábio".
Guglielmo Marconi (1874-1937), físico italiano, inventor da telegrafia sem fio, Prêmio Nobel 1909:
"Declaro com ufania que sou homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como cientista".
A.S. Eddington (1882-1946), físico e astrônomo britânico: "A Física moderna leva-nos necessariamente para Deus".
Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor no campo da Física, com mais de 2.000 patentes:
"Tenho enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles: Deus!"
Tais testemunhos se poderiam multiplicar. Falam eloqüentemente.
1.2. Pré-história e História da Humanidade
Quem estuda a pré-história, sabe que os vestígios do homem pré-histórico são três: 1) a confecção de instrumentos burilados (pedra lascada para ser machado, arma, balaço...); 2) produção do fogo; 3) sepultamento dos mortos.
Com efeito. O sepultamento dos mortos está entre as primeiras expressões do ser humano, como a fabricação de instrumentos rudimentares. Isto quer dizer que, logo que a inteligência humana desponta, ela se manifesta também pelo respeito aos mortos (coisa que os animais irracionais não praticam); o respeito aos mortos, por sua vez, está associado à noção de vida póstuma, vida com a Divindade.
Por conseguinte, desde que o homem é homem, ele se revela religioso; a fé (bem ou mal estruturada) lhe é congênita. Por isto também ela se manifestou em toda a história da humanidade. O fenômeno do ateísmo é relativamente recente; tal fenômeno não pode ser tido como indício de progresso ou aperfeiçoamento da humanidade, como se dirá sob o título seguinte.
1.3. O Homem não basta a si mesmo
As aspirações, inatas no homem, à Vida plena, à Felicidade integral, à Verdade sem erro, ao Amor sem traição, à Bondade sem falhas... não são preenchidas pelos bens passageiros desta vida. O homem não encontra em si nem nas coisas visíveis que o cercam, a resposta para os seus anseios mais espontâneos. A resposta insofismável para as perguntas básicas "De onde venho? Para onde vou?" não lhe é dada por criatura alguma. Daí a necessidade de se admitir um Absoluto sem deficiências, que seja o Norte polarizador das aspirações do homem; esse Norte está fora do homem; é Deus, ao qual diz S. Agostinho: "Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti" (Confissões 11).
Estas afirmações são comprovadas pela recente experiência dos países do Leste europeu: tiveram governos que tentaram organizar toda a sociedade incutindo a não existência de Deus... Tais governos implodiram, fracassaram fragorosamente. Querer que o homem viva prescindindo de Deus equivale a sufocar o que nele há de mais autêntico, como nota o grande psicólogo Carl Gustav Jung (1875-1961):
"Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos,, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu a seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria":
O afastamento de Deus parece desmantelar o ser humano, tirando-lhe o seu eixo ou referencial; só a recuperação da fé recompõe a personalidade.
Seja citado outrossim o texto do Cardeal Josef Ratzinger, que observa a necessidade que temos, de encontrar um TU,... um TU que nos responda cabalmente e que não achamos em criatura alguma:
"A solidão é, sem dúvida, uma das raízes básicas de que surge o encontro do homem com Deus. Onde o homem experimenta a solidão, verifica, ao mesmo tempo, quanto a sua vida representa um grito pelo tu e quão pouco o homem é apto a ser um puro eu, encerrado em si mesmo.
A solidão pode manifestar-se ao homem em profundezas diferentes. Primeiro, ela satisfaz-se com o encontro de um tu humano.
Mas desdobra-se um processo paradoxal descrito por Claudel: cada tu que o homem encontra, revela-se finalmente como uma promessa irrealizada e irrealizável, porque todo tu, no fundo, representa de novo uma desilusão; há um ponto em que encontro nenhum é capaz de vencer a derradeira solidão. E exatamente o achar e o ter-achado voltam a ser um retorno à solidão, um grito pelo tu real e absoluto' (Introdução ao Cristianismo, São Paulo 1970, p. 68).
Examinemos agora as principais
II. DIFICULDADES PARA CRER
Consideraremos cinco focos problemáticos:
II. 1. O Mal no Mundo
Muitas pessoas perguntam: "Pode Deus existir, se há tanta miséria e maldade no mundo que Ele criou?"
Respondemos: o mal não é uma realidade positiva; é, antes, uma carência ou a falta de algo que deveria existir e não existe. Assim a cegueira é um mal, porque é carência de visão em quem a deveria ter; a violência é um mal porque é carência da finalidade devida no comportamento de um homem inteligente e hábil...
Isto significa que o mal não tem causa direta. Ele só pode ser causado indiretamente, indiretamente por um agente limitado, capaz de falhar. Ora, por definição, Deus é perfeito ou incapaz de falhar; por isto não pode ser causa - nem indireta - do mal; só uma criatura pode agir com falhas ou agir mal.
É claro, porém, que, ao produzir as suas criaturas, Deus só podia criar seres limitados, falíveis, suscetíveis de errar. Não pode haver dois seres infinitamente perfeitos e infalíveis, porque não pode haver dois deuses.
Todavia o Senhor não é impassível perante o mal que as criaturas sofrem. Diz S. Agostinho que "Ele nunca permitiria o mal se não tivesse recursos para tirar do mal bens ainda maiores". A fé cristã o atesta apontando para a figura do Cristo que assume a dor e a morte do homem, a fim de transfigurá-las mediante a ressurreição.
II. 2. Desconhecimento da Doutrina da Fé
Outro obstáculo à fé é o desconhecimento da sua mensagem ou os mal-entendidos a respeito daquilo que a fé ensina. Pode haver pessoas que só conheçam a religião infantilmente apresentada e, por isto, a rejeitam em nome da razão esclarecida. Uma vez, porém, elucidados os pontos obscuros, tais pessoas podem perceber que a fé não é ridícula nem alienante, mas é a expressão mais nobre da personalidade, pois implica um ato da nossa faculdade mais digna - a inteligência (não um sentimento cego) - aplicada ao Ser mais digno - o Absoluto, o Eterno, Deus.
II. 3. Obstáculos de Ordem Moral
Muitas vezes o ato de fé encontra resistência no ser humano, não porque sérias objeções teóricas se lhe oponham, mas porque tal pessoa cede a um tipo de vivência incompatível com a fé. Diz a sabedoria popular: "Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive". Isto quer dizer que uma pessoa de brio que pense religiosamente, mas viva de modo destoante, deve sentir a necessidade de superar essa incoerência; ela o fará ou adaptando sua vida ao seu pensamento religioso ou, se não tiver forças para tanto, adaptando o seu modo de pensar ao seu modo de viver desregrado.
Este último caso, em nossos dias, é assaz freqüente, pois o ritmo de vida da sociedade incute o hedonismo ou a busca de prazer (a qualquer preço). Incute também cobiça ou a sofreguidão de ter mais, que deteriora o ser ou o porte ético-religioso do indivíduo. Assim se explica que várias pessoas, após anos de fé tranqüila, repentinamente abandonem a religião; fazem-no não por terem lido tal ou tal livro ateu, mas simplesmente porque foram cedendo a impulsos e paixões desordenados.
II. 4. O Contratestemunho das Pessoas de Fé
É certo que também as contradições na vivência das pessoas religiosas escandalizam e afastam a quem as observa. A propósito diremos que, sem dúvida, o testemunho coerente das pessoas religiosas facilita a adesão de fé dos observadores, ao passo que o mau exemplo a dificulta. Todavia quem crê, deve dar-se conta de que:
- crê porque descobriu a Deus e deseja responder ao Bem Supremo. Este é o traço central de toda profissão de fé religiosa;
- crê, porém, em companhia de seres humanos, aos quais é inerente a fragilidade. Essa fragilidade, contudo, não impede que cada pessoa fiel encontre em Deus a sua plena resposta. Deus se dá a quem o procura, independentemente da conduta dos companheiros de caminhada.
II. 5. O Claro-escuro da Fé
As proposições da fé são claro-escuras, nunca evidentes como 2+2 = 4. Sem dúvida, elas têm suas credenciais, que as tornam acreditáveis e que todo homem pode investigar; se o fizer, chegará à conclusão de que é razoável ou é inteligente crer. Por isto, quando acredito, não abdico da minha razão, mas, ao contrário, exercito a minha inteligência; esta me diz que a Verdade não acaba quando acaba meu raio de percepção intelectual. A fé ultrapassa o alcance da minha inteligência, mas não lhe contradiz; apenas leva a ulteriores etapas a demanda da Verdade.
O fato de que as verdades da fé ultrapassam o alcance da nossa inteligência, de um lado, nos deixa sôfregos e insatisfeitos; mas, de outro lado, é fonte de alegria e paz. Com efeito, como diz Pascal, o homem foi feito para se ultrapassar constantemente ou para se realizar em algo maior do que ele mesmo; o homem é resposta pequena demais para o próprio homem; só o Absoluto ou Deus o sacia.
Os pensadores gregos perceberam este paradoxo, quando definiram o homem como um "ente de fronteira", posto em equilíbrio instável entre os animais e os deuses; sim, para os gregos, os deuses eram consumados em sua existência imortal e bem-aventurada; os animais também bastam a si mesmos, desde que encontrem alimento e o necessário para sobreviver. O homem não é assim: nem goza da satisfação dos deuses nem se dá por realizado apenas com a sua existência animal; ele é repuxado, de um lado, pelo peso da sua animalidade e, de outro lado, pela insaciável sede do Absoluto; não lhe basta viver simplesmente as dimensões do homem terrestre para ser autenticamente humano. Se há consumação para o homem, há de ser num valor que ultrapasse os limites da sua natureza. Em conseqüência, não há por que nos assustarmos quando verificamos que a mensagem da fé é trans-racional; é precisamente esta nota que permite à fé levar o homem à sua genuína realização; uma mensagem meramente filosófica pouco significado teria no caso.
Estas ponderações explicam o porquê do incômodo resultante do claro-escuro da fé: é condição para que a nossa entrega a Deus tenha o valor de um gesto livre; é também o indicio da autenticidade mesma da fé. A mensagem de Deus é suficientemente clara para que a adesão do homem seja razoável e inteligente (não cega, nem meramente sentimental), mas é também suficientemente obscura para que o nosso Sim seja livre. Deus quer ser aceito e amado livremente por criaturas livres. Somente com o progresso da vida espiritual, com o amadurecimento e a consolidação da fé é que a penumbra se vai clareando, as sombras se vão dissipando até que cederão um dia à plenitude da luz ou à visão beatifica.
III. CONCLUSÃO
Não sou ateu, porque sei que, se procurasse viver sem Deus, sem a convicção de que existe um Bem Infinito que me fez e aguarda, eu não poderia responder às questões fundamentais de todo ser humano: "Donde venho? Para onde vou? Por que trabalhar? Por que sofrer? Por que ser honesto?"
Tal convicção não é muleta nem tapa-buraco em meu comportamento. Se fosse muleta, o homem sem Deus seria mais ele mesmo, mais adulto e maduro. Ora a experiência prova justamente o contrário; o homem sem Deus pode ser uma pessoa momentaneamente tranqüila, mas cedo ou tarde é chamada a um confronto com a questão do sentido da vida: Vale a pena viver, lutar em prol do bem e sofrer, para um dia extinguir-se sem mais, como a chama de um pavio? - Responder sim a esta pergunta é antinatural. Podemos crer que, se em nós existem aspirações naturais ao Transcendente, elas não são vãs. Convenço-me disto quando olho em torno de mim e observo que, se nos homens existe olho, também existe luz (resposta para a aspiração natural do olho); se nos homens existe ouvido, existe som; se nos homens existe pulmão, existe ar; se nos homens existe estômago, existe alimento. E digo: Por conseguinte, se nos homens existem fome e sede inatas de Vida, de Felicidade, de Amor, de Bondade, de Verdade, deve haver... a Vida, a Felicidade, o Amor, a Bondade, a Verdade, que, em última análise, é Deus. Em caso contrário, o homem seria a mais absurda e miserável de todas as criaturas - o que é falso.
domingo, 5 de julho de 2009
O falso mito de que os cientistas não acreditam em Deus
Por Jorge Pimentel Cintra
(www.quadrante.com.br)
O falso mito de que os cientistas não acreditam em Deus tem, na verdade, pretensões maiores do que parece à primeira vista: quer dar a entender que todas as pessoas verdadeiramente inteligentes e esclarecidas não aderem às “fábulas” ou aos “mitos” religiosos; e os cientistas, esses “homens geniais”, levados pelas demonstrações da sua ciência, chegaram à conclusão inevitável de que Deus simplesmente não existe.
Outro falso mito que “corre solto” é que os cientistas não acreditam em Deus. Em si, o fato não teria nada de mais, já que encontramos ateus de todas as profissões e de todas as categorias sociais. Este mito tem, na verdade, pretensões maiores do que parece à primeira vista: quer dar a entender que todas as pessoas verdadeiramente inteligentes e esclarecidas não aderem às “fábulas” ou aos “mitos” religiosos; e os cientistas, esses “homens geniais”, levados pelas demonstrações da sua ciência, chegaram à conclusão inevitável de que Deus simplesmente não existe.
Nada mais distante da verdade; um conhecimento superficial da vida de alguns cientistas poderia dar uma impressão desse tipo, mas um estudo mais profundo mostra sempre que os contados casos de ateísmo são muito mais uma conseqüência de circunstâncias ou de problemas pessoais do que uma atitude decorrente de conclusões científicas. De fato, até hoje ninguém apresentou nenhum argumento verdadeiramente sério sobre a inexistência de Deus, e muito menos baseado em conclusões científicas.
É um fato que houve cientistas que foram ateus ou que abandonaram a prática da religião, como por exemplo Madame Curie, polonesa de origem, nascida e educada na religião católica, que se desinteressou da religião ao ficar abalada pela morte da mãe. Só temos a dizer que é uma pena.
Por outro lado, ao longo de toda a história, poderíamos citar uma quantidade enorme de cientistas e de filósofos que acreditavam em Deus, que viveram a sua religião ou até mesmo eram pessoas de comunhão diária, como Pasteur. Muitos deles, além disso, manifestaram as suas convicções publicamente, em mais de uma oportunidade.
Descartes e Galileu morreram como bons cristãos, com todos os sacramentos; Leibniz escreveu uma obra denominada Teodicéia (“Justificação de Deus”) contra o ateísmo. Platão e Aristóteles, sobre os quais não pesa a “suspeita” de serem considerados cristãos ou católicos, já que viveram antes de Cristo, apresentaram inúmeras provas da existência de Deus, com argumentos puramente racionais. Em Newton e Kepler encontramos almas profundamente cristãs, que não tiveram o menor receio de falar de Deus nos seus escritos. Mendel, o iniciador da genética, fez as suas experiências com ervilhas nos terrenos do mosteiro de que era abade. Copérnico, reintrodutor moderno do sistema heliocêntrico, era clérigo.
Para não alongarmos demasiado o texto com explicações, apresentamos a seguir depoimentos de alguns cientistas sem acrescentar-lhes maiores comentários e restringindo-nos somente a alguns que já fazem parte da história.1
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(1) Citações extraídas do folheto Gott existiert, reproduzidos em Pergunte e Responderemos, ano XXIX, n. 316, setembro de 1988.
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1. Isaac Newton (1642-1727), fundador da física clássica e descobridor da lei da gravidade: “A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta”.
2. William Herschel (1738-1822), astrônomo alemão, descobridor do planeta Urano: “Quanto mais o campo das ciências naturais se dilata, tanto mais numerosas e irrefutáveis se tornam as provas da eterna existência de uma Sabedoria criadora e todo-poderosa”.
3. Alessandro Volta (1745-1827), físico italiano, descobridor da pilha elétrica e inventor, cujo nome deu origem ao termo voltagem: “Submeti a um estudo profundo as verdades fundamentais da fé, e [...] deste modo encontrei eloqüentes testemunhos que tornam a religião acreditável a quem use apenas a sua razão”.
4. André Marie Ampère (1775-1836), físico e matemático francês, descobridor da lei fundamental da eletrodinâmica, cujo nome deu origem ao termo amperagem: “A mais persuasiva demonstração da existência de Deus depreende-se da evidente harmonia daqueles meios que asseguram a ordem do universo e pelos quais os seres vivos encontram no seu organismo tudo aquilo de que precisam para a sua subsistência, a sua reprodução e o desenvolvimento das suas virtualidades físicas e espirituais”.
5. Jons Jacob Berzelius (1779-1848), químico sueco, descobridor de inúmeros elementos químicos: “Tudo o que se relaciona com a natureza orgânica revela uma sábia finalidade e apresenta-se como produto de uma Inteligência Superior [...]. O homem [...] é levado a considerar as suas capacidades de pensar e calcular como imagem daquele Ser a quem ele deve sua existência”.
6. Karl Friedrich Gauss (1777-1855), alemão, considerado por muitos como o maior matemático de todos os tempos, também astrônomo e físico: “Quando tocar a nossa última hora, teremos a indizível alegria de ver Aquele que em nosso trabalho apenas pudemos pressentir”.
7. Agustin-Louis Cauchy (1789-1857), matemático francês, que desenvolveu o cálculo infinitesimal: “Sou um cristão, isto é, creio na divindade de Cristo como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Leibniz, Pascal [...], como todos os grandes astrônomos e matemáticos da antigüidade”.
8. James Prescott Joule (1818-1889), físico britânico, estudioso do calor, do eletromagnetismo e descobridor da lei que leva o seu nome: “Nós topamos com uma grande variedade de fenômenos que [...] em linguagem inequívoca falam da sabedoria e da bendita mão dO Grande Mestre das obras”.
9. Ernest Werner von Siemens (1816-1892), engenheiro alemão, inventor da eletrotécnica e que trabalhou muito no ramo das telecomunicações: “Quanto mais fundo penetramos na harmoniosa dinâmica da natureza, tanto mais nos sentimos inspirados a uma atitude de modéstia e humildade; [...] e tanto mais se eleva a nossa admiração pela infinita Sabedoria, que penetra todas as criaturas”.
10. William Thompson Kelvin (1824-1907), físico britânico, pai da termodinâmica e descobridor de muitas outras leis da natureza: “Estamos cercados de assombrosos testemunhos de inteligência e benévolo planejamento; eles nos mostram através de toda a natureza a obra de uma vontade livre e ensinam-nos que todos os seres vivos são dependentes de um eterno Criador e Senhor”.
11. Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor, com mais de 2.000 patentes, entre elas a da lâmpada elétrica: “Tenho [...] enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles: Deus!”.
12. Guglielmo Marconi (1874-1937), físico italiano, inventor do telégrafo sem fio, prêmio Nobel em 1909: “Declaro com ufania que sou homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como cientista”.
13. John Ambrose Fleming (1849-1945), físico britânico, descobridor da válvula e do diodo: “A grande quantidade de descobertas modernas destruiu por completo o antigo materialismo. O universo apresenta-se hoje ao nosso olhar como um pensamento. Ora, o pensamento supõe a existência de um pensador”.
14. Arthur Eddington (1882-1946), físico e astrônomo britânico: “A física moderna leva-nos necessariamente a Deus”.
15. Max Plank (1858-1947), físico alemão, criador da teoria dos quanta, prêmio Nobel em 1928: “Para onde quer que se estenda o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre ciências naturais e religião, antes encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências naturais e religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas completam-se e apelam uma para a outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão”.
16. Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da teoria da relatividade, prêmio Nobel em 1921: “Todo o profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois não pode admitir que seja ele o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que contempla. No universo, incompreensível como é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. A opinião corrente de que sou ateu baseia-se num grande equívoco. Quem a quisesse depreender das minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento”.
17. Carl Gustav Jung (1875-1961), suíço, um dos fundadores da psicanálise: “Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu aos seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria”.
18. Werner von Braun (1912-1977), físico alemão radicado nos Estados Unidos e naturalizado norte-americano, especialista em foguetes e principal diretor técnico dos programas da NASA (Explorer, Saturno e Apolo), que culminaram com a chegada do homem à lua: “Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens espaciais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos de crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e religião são, pois, irmãs, e não pólos antitéticos”. E: “Quanto mais compreendemos a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos razões novas para nos assombrarmos diante dos esplendores da criação divina”.
Será mesmo que todos os cientistas são ateus?
POR QUE EXISTEM ATEUS?
Realmente, essa é uma pergunta muito boa, para a qual talvez não exista uma resposta conclusiva, pois no fundo trata-se de um mistério.
Para entender como se chegou a essa situação, é necessário regredir um pouco no tempo em busca das raizes do problema. Sempre houve materialistas e ateus, como Epicuro e Demócrito, já nos tempos áureos da filosofia grega; mas, para nos restringirmos aos tempos modernos, podemos começar novamente com Descartes. Uma das suas preocupações era precisamente a de estabelecer (como postulado) uma separação radical entre a fé e a razão humana, criando compartimentos estanques e incomunicáveis dentro de cada ser humano, o qual teria assim uma espécie de chave que poderia ser ligada e desligada: ora pensaria e agiria como cientista, utilizando-se só da razão, ora pensaria e agiria como homem religioso, valendo-se da fé. A religião seria, nesse esquema, algo puramente voluntário e sentimental, em que a razão não teria cabida.
Um dos fatores que contribuiram para dar origem a essa atitude foram as guerras de religião do século XVI, cujas conseqüências Descartes chegou a presenciar: manifestações de fanatismo as mais diversas, em que cada grupo afirmava estar na verdade e queria convencer os demais pela força. Não é de estranhar que, até entre gente equilibrada, se levantasse a tentação de dizer que os assuntos de religião são como os sentimentos: cada qual tem os seus, como tem os seus gostos e preferências pessoais; é assunto sobre o qual de nada adianta discutir: os argumentos são muito mais passionais do que racionais. Que motivos racionais pode ter um torcedor para torcer por um time de futebol?
Ora, uma vez que se afirme que todas as religiões são iguais – que dependem do gosto de cada um –, o passo seguinte é uma indiferença absoluta, que no fundo admite que nenhuma delas está na verdade e nenhuma possui valores absolutos. A conseqüência é que não vale a pena aderir a nenhuma religião oficial e muito menos praticá-la.
O passo histórico seguinte foi o deísmo, corrente nascida na Inglaterra, segundo a qual Deus não seria senão o Grande Arquiteto do Universo que, tendo construido o mundo, o teria abandonado a seguir nas mãos do homem; neste caso, caber-nos-ia viver como se Deus não existisse, e portanto, seria preciso rejeitar a existência de milagres, da Providência ou de um Evangelho revelado, negando também qualquer intervenção de Deus na história humana. Cristo seria um grande profeta e até o maior dos homens, o que, na boca dessas pessoas, equivalia a negar que fosse Deus. A religião, a união com Deus, ficaria reduzida a um vago sentimentalismo, e a moral a umas simples regras de convivência entre os homens.
A partir daí, alguns filósofos ingleses começaram a autodenominar-se livre-pensadores, querendo dizer com isso que estavam livres da superstição (isto é, da religião), e que aceitavam somente uma religião “natural”, sem dogmas nem ritos; adotaram o lema “liberdade, igualdade, fraternidade”, que seria assumido mais tarde pela Revolução francesa.
O passo seguinte na evolução dessa linha de pensamento foi, naturalmente, o agnosticismo (se é que Deus existe, não é possível conhecê-lo), ou simplesmente o ateísmo. Por essa rota caminharam os filósofos da Ilustração francesa: Condillac, Diderot, D’Alembert, que Lênin recomendava como a melhor introdução ao “ateísmo científico”.
Nessa trajetória nota-se, paralelamente à expulsão de Deus da vida e do pensamento, uma deificação do próprio homem. A atitude de Descartes atribui ao homem (à sua inteligência) qualidades que são exclusivas de Deus; Espinosa diz que o homem é parte de Deus; Kant atribui à razão humana um papel fundamental na constituição da realidade; Hegel, num panteísmo cósmico, deifica a razão humana, projetando-a como criadora de toda a realidade; e Feuerbach entroniza definitivamente o homem no lugar de Deus: “O homem é para o homem o ser supremo”, idéia plenamente aceita por Marx. Finalmente, Nietzsche, como representante de muitos outros, proclama a morte de Deus.
O triste paradoxo embutido nessa atitude é que, ao tentar divinizar o homem, acabou-se por animalizá-lo, reduzindo-o a um plano infra-humano. A conclusão era lógica: se o homem não provém de cima (de Deus), só pode provir de baixo (da matéria); se a dignidade do homem provém de estar feito à imagem e semelhança de Deus, ao suprimir-se Deus suprime-se também a sua dignidade, e o homem passa a ser qualquer outra coisa: o homem é aquilo que come (Feuerbach); é puro sexo (Freud); provém do macaco (Darwin), que provém da matéria (os defensores atuais da geração espontânea), que provém do caos. Em perfeita consonância com esses princípios, pregaram-se as filosofias da inimizade: o príncipe deve dominar pelo medo (Maquiavel), o homem é o lobo do homem (Hobbes), a guerra, a luta e a contradição constituem a essência da realidade (Hegel), o ódio é o motor da história (Marx), o inferno são os outros (Sartre), devemos aprender a odiar (Lunatcharsky). Os inimigos estão dentro do próprio homem, numa tensão entre id, ego e super-ego, nos recalques, nas tensões psíquicas, no stress e nos complexos dos mais diversos gêneros.
Estas breves pinceladas não têm a pretensão de ser uma análise histórica, mas penso que são suficientes para explicar uma série de características do atual estado da sociedade. Depois de tudo isso, não é de estranhar que alguns cientistas pudessem e possam desembocar no ateísmo.
(www.quadrante.com.br)
O falso mito de que os cientistas não acreditam em Deus tem, na verdade, pretensões maiores do que parece à primeira vista: quer dar a entender que todas as pessoas verdadeiramente inteligentes e esclarecidas não aderem às “fábulas” ou aos “mitos” religiosos; e os cientistas, esses “homens geniais”, levados pelas demonstrações da sua ciência, chegaram à conclusão inevitável de que Deus simplesmente não existe.
Outro falso mito que “corre solto” é que os cientistas não acreditam em Deus. Em si, o fato não teria nada de mais, já que encontramos ateus de todas as profissões e de todas as categorias sociais. Este mito tem, na verdade, pretensões maiores do que parece à primeira vista: quer dar a entender que todas as pessoas verdadeiramente inteligentes e esclarecidas não aderem às “fábulas” ou aos “mitos” religiosos; e os cientistas, esses “homens geniais”, levados pelas demonstrações da sua ciência, chegaram à conclusão inevitável de que Deus simplesmente não existe.
Nada mais distante da verdade; um conhecimento superficial da vida de alguns cientistas poderia dar uma impressão desse tipo, mas um estudo mais profundo mostra sempre que os contados casos de ateísmo são muito mais uma conseqüência de circunstâncias ou de problemas pessoais do que uma atitude decorrente de conclusões científicas. De fato, até hoje ninguém apresentou nenhum argumento verdadeiramente sério sobre a inexistência de Deus, e muito menos baseado em conclusões científicas.
É um fato que houve cientistas que foram ateus ou que abandonaram a prática da religião, como por exemplo Madame Curie, polonesa de origem, nascida e educada na religião católica, que se desinteressou da religião ao ficar abalada pela morte da mãe. Só temos a dizer que é uma pena.
Por outro lado, ao longo de toda a história, poderíamos citar uma quantidade enorme de cientistas e de filósofos que acreditavam em Deus, que viveram a sua religião ou até mesmo eram pessoas de comunhão diária, como Pasteur. Muitos deles, além disso, manifestaram as suas convicções publicamente, em mais de uma oportunidade.
Descartes e Galileu morreram como bons cristãos, com todos os sacramentos; Leibniz escreveu uma obra denominada Teodicéia (“Justificação de Deus”) contra o ateísmo. Platão e Aristóteles, sobre os quais não pesa a “suspeita” de serem considerados cristãos ou católicos, já que viveram antes de Cristo, apresentaram inúmeras provas da existência de Deus, com argumentos puramente racionais. Em Newton e Kepler encontramos almas profundamente cristãs, que não tiveram o menor receio de falar de Deus nos seus escritos. Mendel, o iniciador da genética, fez as suas experiências com ervilhas nos terrenos do mosteiro de que era abade. Copérnico, reintrodutor moderno do sistema heliocêntrico, era clérigo.
Para não alongarmos demasiado o texto com explicações, apresentamos a seguir depoimentos de alguns cientistas sem acrescentar-lhes maiores comentários e restringindo-nos somente a alguns que já fazem parte da história.1
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(1) Citações extraídas do folheto Gott existiert, reproduzidos em Pergunte e Responderemos, ano XXIX, n. 316, setembro de 1988.
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1. Isaac Newton (1642-1727), fundador da física clássica e descobridor da lei da gravidade: “A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última e mais elevada descoberta”.
2. William Herschel (1738-1822), astrônomo alemão, descobridor do planeta Urano: “Quanto mais o campo das ciências naturais se dilata, tanto mais numerosas e irrefutáveis se tornam as provas da eterna existência de uma Sabedoria criadora e todo-poderosa”.
3. Alessandro Volta (1745-1827), físico italiano, descobridor da pilha elétrica e inventor, cujo nome deu origem ao termo voltagem: “Submeti a um estudo profundo as verdades fundamentais da fé, e [...] deste modo encontrei eloqüentes testemunhos que tornam a religião acreditável a quem use apenas a sua razão”.
4. André Marie Ampère (1775-1836), físico e matemático francês, descobridor da lei fundamental da eletrodinâmica, cujo nome deu origem ao termo amperagem: “A mais persuasiva demonstração da existência de Deus depreende-se da evidente harmonia daqueles meios que asseguram a ordem do universo e pelos quais os seres vivos encontram no seu organismo tudo aquilo de que precisam para a sua subsistência, a sua reprodução e o desenvolvimento das suas virtualidades físicas e espirituais”.
5. Jons Jacob Berzelius (1779-1848), químico sueco, descobridor de inúmeros elementos químicos: “Tudo o que se relaciona com a natureza orgânica revela uma sábia finalidade e apresenta-se como produto de uma Inteligência Superior [...]. O homem [...] é levado a considerar as suas capacidades de pensar e calcular como imagem daquele Ser a quem ele deve sua existência”.
6. Karl Friedrich Gauss (1777-1855), alemão, considerado por muitos como o maior matemático de todos os tempos, também astrônomo e físico: “Quando tocar a nossa última hora, teremos a indizível alegria de ver Aquele que em nosso trabalho apenas pudemos pressentir”.
7. Agustin-Louis Cauchy (1789-1857), matemático francês, que desenvolveu o cálculo infinitesimal: “Sou um cristão, isto é, creio na divindade de Cristo como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Leibniz, Pascal [...], como todos os grandes astrônomos e matemáticos da antigüidade”.
8. James Prescott Joule (1818-1889), físico britânico, estudioso do calor, do eletromagnetismo e descobridor da lei que leva o seu nome: “Nós topamos com uma grande variedade de fenômenos que [...] em linguagem inequívoca falam da sabedoria e da bendita mão dO Grande Mestre das obras”.
9. Ernest Werner von Siemens (1816-1892), engenheiro alemão, inventor da eletrotécnica e que trabalhou muito no ramo das telecomunicações: “Quanto mais fundo penetramos na harmoniosa dinâmica da natureza, tanto mais nos sentimos inspirados a uma atitude de modéstia e humildade; [...] e tanto mais se eleva a nossa admiração pela infinita Sabedoria, que penetra todas as criaturas”.
10. William Thompson Kelvin (1824-1907), físico britânico, pai da termodinâmica e descobridor de muitas outras leis da natureza: “Estamos cercados de assombrosos testemunhos de inteligência e benévolo planejamento; eles nos mostram através de toda a natureza a obra de uma vontade livre e ensinam-nos que todos os seres vivos são dependentes de um eterno Criador e Senhor”.
11. Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor, com mais de 2.000 patentes, entre elas a da lâmpada elétrica: “Tenho [...] enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles: Deus!”.
12. Guglielmo Marconi (1874-1937), físico italiano, inventor do telégrafo sem fio, prêmio Nobel em 1909: “Declaro com ufania que sou homem de fé. Creio no poder da oração. Creio nisto não só como fiel cristão, mas também como cientista”.
13. John Ambrose Fleming (1849-1945), físico britânico, descobridor da válvula e do diodo: “A grande quantidade de descobertas modernas destruiu por completo o antigo materialismo. O universo apresenta-se hoje ao nosso olhar como um pensamento. Ora, o pensamento supõe a existência de um pensador”.
14. Arthur Eddington (1882-1946), físico e astrônomo britânico: “A física moderna leva-nos necessariamente a Deus”.
15. Max Plank (1858-1947), físico alemão, criador da teoria dos quanta, prêmio Nobel em 1928: “Para onde quer que se estenda o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre ciências naturais e religião, antes encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências naturais e religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas completam-se e apelam uma para a outra. Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão”.
16. Albert Einstein (1879-1955), físico judeu alemão, criador da teoria da relatividade, prêmio Nobel em 1921: “Todo o profundo pesquisador da natureza deve conceber uma espécie de sentimento religioso, pois não pode admitir que seja ele o primeiro a perceber os extraordinariamente belos conjuntos de seres que contempla. No universo, incompreensível como é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. A opinião corrente de que sou ateu baseia-se num grande equívoco. Quem a quisesse depreender das minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento”.
17. Carl Gustav Jung (1875-1961), suíço, um dos fundadores da psicanálise: “Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu aos seus adeptos, e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria”.
18. Werner von Braun (1912-1977), físico alemão radicado nos Estados Unidos e naturalizado norte-americano, especialista em foguetes e principal diretor técnico dos programas da NASA (Explorer, Saturno e Apolo), que culminaram com a chegada do homem à lua: “Não se pode de maneira nenhuma justificar a opinião, de vez em quando formulada, de que na época das viagens espaciais temos conhecimentos da natureza tais que já não precisamos de crer em Deus. Somente uma renovada fé em Deus pode provocar a mudança que salve da catástrofe o nosso mundo. Ciência e religião são, pois, irmãs, e não pólos antitéticos”. E: “Quanto mais compreendemos a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos razões novas para nos assombrarmos diante dos esplendores da criação divina”.
Será mesmo que todos os cientistas são ateus?
POR QUE EXISTEM ATEUS?
Realmente, essa é uma pergunta muito boa, para a qual talvez não exista uma resposta conclusiva, pois no fundo trata-se de um mistério.
Para entender como se chegou a essa situação, é necessário regredir um pouco no tempo em busca das raizes do problema. Sempre houve materialistas e ateus, como Epicuro e Demócrito, já nos tempos áureos da filosofia grega; mas, para nos restringirmos aos tempos modernos, podemos começar novamente com Descartes. Uma das suas preocupações era precisamente a de estabelecer (como postulado) uma separação radical entre a fé e a razão humana, criando compartimentos estanques e incomunicáveis dentro de cada ser humano, o qual teria assim uma espécie de chave que poderia ser ligada e desligada: ora pensaria e agiria como cientista, utilizando-se só da razão, ora pensaria e agiria como homem religioso, valendo-se da fé. A religião seria, nesse esquema, algo puramente voluntário e sentimental, em que a razão não teria cabida.
Um dos fatores que contribuiram para dar origem a essa atitude foram as guerras de religião do século XVI, cujas conseqüências Descartes chegou a presenciar: manifestações de fanatismo as mais diversas, em que cada grupo afirmava estar na verdade e queria convencer os demais pela força. Não é de estranhar que, até entre gente equilibrada, se levantasse a tentação de dizer que os assuntos de religião são como os sentimentos: cada qual tem os seus, como tem os seus gostos e preferências pessoais; é assunto sobre o qual de nada adianta discutir: os argumentos são muito mais passionais do que racionais. Que motivos racionais pode ter um torcedor para torcer por um time de futebol?
Ora, uma vez que se afirme que todas as religiões são iguais – que dependem do gosto de cada um –, o passo seguinte é uma indiferença absoluta, que no fundo admite que nenhuma delas está na verdade e nenhuma possui valores absolutos. A conseqüência é que não vale a pena aderir a nenhuma religião oficial e muito menos praticá-la.
O passo histórico seguinte foi o deísmo, corrente nascida na Inglaterra, segundo a qual Deus não seria senão o Grande Arquiteto do Universo que, tendo construido o mundo, o teria abandonado a seguir nas mãos do homem; neste caso, caber-nos-ia viver como se Deus não existisse, e portanto, seria preciso rejeitar a existência de milagres, da Providência ou de um Evangelho revelado, negando também qualquer intervenção de Deus na história humana. Cristo seria um grande profeta e até o maior dos homens, o que, na boca dessas pessoas, equivalia a negar que fosse Deus. A religião, a união com Deus, ficaria reduzida a um vago sentimentalismo, e a moral a umas simples regras de convivência entre os homens.
A partir daí, alguns filósofos ingleses começaram a autodenominar-se livre-pensadores, querendo dizer com isso que estavam livres da superstição (isto é, da religião), e que aceitavam somente uma religião “natural”, sem dogmas nem ritos; adotaram o lema “liberdade, igualdade, fraternidade”, que seria assumido mais tarde pela Revolução francesa.
O passo seguinte na evolução dessa linha de pensamento foi, naturalmente, o agnosticismo (se é que Deus existe, não é possível conhecê-lo), ou simplesmente o ateísmo. Por essa rota caminharam os filósofos da Ilustração francesa: Condillac, Diderot, D’Alembert, que Lênin recomendava como a melhor introdução ao “ateísmo científico”.
Nessa trajetória nota-se, paralelamente à expulsão de Deus da vida e do pensamento, uma deificação do próprio homem. A atitude de Descartes atribui ao homem (à sua inteligência) qualidades que são exclusivas de Deus; Espinosa diz que o homem é parte de Deus; Kant atribui à razão humana um papel fundamental na constituição da realidade; Hegel, num panteísmo cósmico, deifica a razão humana, projetando-a como criadora de toda a realidade; e Feuerbach entroniza definitivamente o homem no lugar de Deus: “O homem é para o homem o ser supremo”, idéia plenamente aceita por Marx. Finalmente, Nietzsche, como representante de muitos outros, proclama a morte de Deus.
O triste paradoxo embutido nessa atitude é que, ao tentar divinizar o homem, acabou-se por animalizá-lo, reduzindo-o a um plano infra-humano. A conclusão era lógica: se o homem não provém de cima (de Deus), só pode provir de baixo (da matéria); se a dignidade do homem provém de estar feito à imagem e semelhança de Deus, ao suprimir-se Deus suprime-se também a sua dignidade, e o homem passa a ser qualquer outra coisa: o homem é aquilo que come (Feuerbach); é puro sexo (Freud); provém do macaco (Darwin), que provém da matéria (os defensores atuais da geração espontânea), que provém do caos. Em perfeita consonância com esses princípios, pregaram-se as filosofias da inimizade: o príncipe deve dominar pelo medo (Maquiavel), o homem é o lobo do homem (Hobbes), a guerra, a luta e a contradição constituem a essência da realidade (Hegel), o ódio é o motor da história (Marx), o inferno são os outros (Sartre), devemos aprender a odiar (Lunatcharsky). Os inimigos estão dentro do próprio homem, numa tensão entre id, ego e super-ego, nos recalques, nas tensões psíquicas, no stress e nos complexos dos mais diversos gêneros.
Estas breves pinceladas não têm a pretensão de ser uma análise histórica, mas penso que são suficientes para explicar uma série de características do atual estado da sociedade. Depois de tudo isso, não é de estranhar que alguns cientistas pudessem e possam desembocar no ateísmo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O enigma da dor
EMBORA A DOR NOS FAÇA CLARIVIDENTES, NÃO DEIXA DE SER UM PROBLEMA
Na mão de Deus, dificilmente haverá meio mais eficaz do que a dor para nos libertarmos do nosso eu, dos homens e do mundo. Os nossos sofrimentos, permitidos por Deus, visam em especial a felicidade no além e dizem-nos dolorosamente que nesta terra não somos mais do que peregrinos e estrangeiros (l Pe 2, 11), que não temos aqui cidade permanente (Hebr 13, 14).
Não há dúvida de que muitas vezes seríamos levados a esquecer-nos disso e nos entregaríamos às coisas terrenas e humanas se a dor não nos ajudasse a ver o nada, a caducidade das coisas terrenas, e não despertasse em nós o desejo de um mundo melhor e mais belo. Enfim, a dor suaviza-nos a morte porque, se o mundo fosse uma mansão de felicidade e bem-estar, não quereríamos partir, e a morte seria ainda mais penosa do que é. Quantas pessoas se entregariam ao pecado e cairiam na desgraça eterna se a dor não nos obrigasse sempre a recuar no caminho do pecado!
Mas, muito embora a Revelação ilumine as trevas da dor, esta não deixa de constituir o mais grave problema, o mais negro enigma da nossa vida. O raciocínio reconhece e vê alguns pontos, a fé esclarece outros, mas à aceitação cabe ainda um grande quinhão. Não interessa tanto a Deus que compreendamos o mistério da dor, mas que creiamos no Senhor e lhe obedeçamos incondicionalmente, embora saibamos que não podemos compreendê-lo nem abrangê-lo.
Deus não se deixa abranger por nós, porque é sempre maior, mais extenso que a nossa compreensão (cfr. Jó 26, 14; 36, 26). Ele criou o nosso ser espiritual à sua imagem e semelhança, mas nós deturpamos a sua imagem segundo a nossa imagem e semelhança. Julgamos que deveria agir sempre como nós e, se age de modo diverso e em especial se nos envia padecimentos, duvidamos logo da sua existência.
Para os judeus, a cruz era um escândalo e para os pagãos uma loucura (l Cor l, 23). Mesmo os Apóstolos não a entenderam a princípio, e, quando o Senhor falou pela primeira vez dos seus padecimentos, São Pedro quis detê-lo: "Deus tal não permita, Senhor! Não te sucederá isto"(Mt 16, 22). Jesus repreendeu-o imediatamente, e essa sua reação impressionou vivamente os outros Apóstolos. Noutra ocasião em que o Senhor lhes falou dos seus padecimentos, não o entenderam, mas não tiveram a coragem de pronunciar uma palavra: Eles não entendiam esta palavra [...] e tinham medo de interrogá-lo acerca dela (Lc 9, 45). Lembravam-se bem do que sucedera a Pedro. E o mesmo se verificou quando o Salvador lhes falou pela terceira vez dos seus padecimentos (cfr. Lc 18, 34).
Nem mesmo a Santíssima Virgem compreendeu todos os caminhos dolorosos por onde Deus a conduziu e afligía-a o problema do porquê. Quando após três dias de buscas vãs encontraram Jesus no templo, Nossa Senhora perguntou-lhe: "Filho, por que procedeste assim conosco?"E o Salvador respondeu: "Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?"Apesar dessa resposta, não o compreenderam: E eles não entenderam o que lhes disse (Lc 2, 48-50).
E nós, compreenderíamos o Senhor se Ele nos respondesse ao problema premente do porquê? Talvez não. Na maior parte dos casos, ainda não entendemos. Os sofrimentos que nos atingem não podem ser explicados no momento em que se produzem, mas apenas em função do conjunto, e é precisamente no seu significado de conjunto que podem ser entendidos. Aquilo que, encarado isoladamente, pode parecer uma loucura, considerado no conjunto pode constituir uma graça divina muito especial.
O PROBLEMA DO "PORQUÊ"
Não é de admirar, pois, que o "porquê" nos acuda aos lábios, principalmente quando se abate sobre nós uma desgraça grande ou quando as dores se sucedem umas às outras. O próprio Salvador, na hora da mais amarga das suas dores, perguntou ao Pai: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27, 46). A dor parecia-lhe como que um muro que ocultava o semblante amigo de Deus (cfr. Mt 27, 46).
A obediência e a submissão tornam-se ainda mais difíceis quando o nosso entendimento nos demonstra sem qualquer sombra de dúvida que sofremos sem culpa. O fardo torna-se insuportável quando vemos que os inocentes sofrem, ao passo que os culpados não só não sofrem, como parecem tirar grandes lucros e vantagens da sua culpa. Há justos que sofrem como se tivessem agido impiamente e há ímpios a quem nada sucede, como se tivessem agido como justos (Ecl 8, 14). Quantas vezes não nos temos apercebido da veracidade destas palavras! Tu és muito justo, ó Senhor, para que dispute contigo; no entanto, desejaria dizer-te coisas justas. Por que é próspero o caminho dos ímpios? Por que vivem felizes os pérfidos? Plantaste-os e eles lançaram raízes, crescem e frutificam (Jer 12, 1-2). Os meus pés por pouco não vacilaram, por pouco os meus passos não se transformaram; porque invejei os iníquos, vendo a paz dos pecadores. Eles não conhecem misérias; têm forte e são o seu corpo. Não participam das canseiras dos outros homens, nem são fustigados como os outros (Sal 72, 2-5).
Não deveria espantar-nos, diante desse panorama, que caiam na confusão aqueles que não têm fé. A nós, porém, a fé diz-nos que o sol do amor divino continua a brilhar no meio da dor. Por detrás dela está o amor de Deus, que é maior que toda a dor. "Deus castiga aqueles que ama" (cfr. Hebr 12, 6). Certa vez, Cristo queixou-se a Santa Teresa de Ávila de que fossem tão poucos os que o amam. A santa respondeu-lhe: "Não deves admirar-te, pois amas os que te crucificam e crucificas os que te amam".
Quando as crianças não dão ouvidos às admoestações dos pais, estes vêem-se forçados a castigá-las, apesar do amor que lhes dedicam e até por causa desse mesmo amor. Nada há de mais prejudicial para uma criança do que esse amor brando que não sabe recusar coisa alguma, que não sabe castigar. Até uma certa idade, os filhos não compreendem que o castigo seja uma prova de amor e por isso os pais não lhes dão longas explicações, uma vez que só o castigo os pode levar a mudar de conduta e, em consequência, a compreender.
Ora, se nem sempre os filhos conseguem compreender os pais, como havemos nós de poder compreender Deus? Com certeza que o Senhor não nos leva a mal choros e queixumes, desde que saibamos reagir com fé. A fé diz-nos que o Senhor é um Deus de amor e ensina-nos a ver esse amor por trás das desgraças, levando-nos a aproveitá-las, a reconhecer o valor que têm para a eternidade.
A DOR E O PECADO
Se olhássemos mais atentamente para a nossa condição de pecadores e para a natureza do pecado, com certeza não nos revoltaríamos tantas vezes contra Deus: Ai daquele que discute com quem o criou, não sendo mais que um vaso entre os vasos da terra. Porventura diz o barro ao oleiro: Que fazes? (Is 45, 9). Pode um mortal ser puro diante do seu Criador? (Jó 4, 17).
Perante Deus, todos somos mais ou menos culpados: todos os castigos são pequenos em comparação com a ofensa que fizemos a Deus ao pecar. Ninguém sofre inocentemente; só Cristo na Cruz e Nossa Senhora a seus pés sofreram sem ter pecado. Quanto a nós, todos sofremos com justiça, todos recebemos o justo castigo das nossas ações (cfr. Lc 23, 41); e se não merecemos a dor que nos aflige num determinado momento, merecemo-la — e talvez mais — por pecados e erros anteriores.
Por isso, não nos devemos admirar de que a dor nos aflija, nem perguntar em que a merecemos. Com muito maior razão deveríamos perguntar em que merecemos o bem-estar e a felicidade quando deles gozamos. Mas é nosso hábito aceitar com naturalidade a felicidade que Deus nos dá, como se a tivéssemos merecido, quando é certo que as coisas deveriam passar-se justamente ao contrário: Se aceitamos a felicidade da mão de Deus, não devemos tamhém aceitar a infelicidade? (Jó 2, 10).
Enfim, nós, pecadores, nunca devemos altercar com Deus por causa da dor, porque não podemos esquecer que Ele não poupou o Filho bem-amado em quem tinha postas as suas complacências (cfr. Lc 3, 22), que o mergulhou num mar de dor como a ninguém na terra. Se tivermos presentes todas estas coisas, será legítimo lamentarmo-nos?
"BEM-AVENTURADO O HOMEM A QUEM DEUS CORRIGE"
Embora compreendamos muitas coisas e possamos seguir o Senhor por alguns caminhos com a razão iluminada pela fé, há muitos outros que não podemos compreender, porque nos conduzem a trevas profundas. Só nos pode ajudar a fé viva na justiça divina e no imenso amor que o Senhor nos dedica. Deus não pode ser cruel, nem por um instante. Quase seria preferível duvidarmos da nossa própria razão a duvidarmos da justiça e amor divinos. Quem perder a fé e a confiança na justiça de Deus, no seu amor, bondade e misericórdia, perderá o chão debaixo dos pés, deixará de ter as suas raízes em Deus, origem da sua vida, e será arrebatado pela tempestade da dor.
A fé diz-nos que Deus é nosso Pai, que está junto de nós quando nos envia o sofrimento. Nesse momento, passamos como que para uma escola superior: O Senhor está perto daqueles que têm o coração atribulado (Sal 33, 19). A dor é mesmo um dos sinais mais seguros de eleição: Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige (Jó 5, 17).
É nosso dever, mesmo ao sofrermos as mais negras dores, estarmos convencidos de que é Deus quem as envia e não começar a ponderar e a cismar. Basta procurarmos compreender o que quer Deus dizer-nos por intermédio desse sofrimento, saber como poderemos valorizá-lo e utilizá-lo. Porque Ele quer salvar-nos e levar-nos ao céu pelo caminho da dor: O que presentemente é para nós uma tribulação momentânea e ligeira, produz em nós um peso eterno de glória incomparável (2 Cor 4, 17). E devemos pensar com São Paulo que os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória vindoura (Rom 8, 18).
Scio cui credidi, "Eu sei em quem creio e confio", escreve São Paulo (2 Tim l, 12). O Salvador exorta-nos a não ter medo (cfr. Mt 10, 28; Lc 12, 32). Um passarinho não tem valor e, no entanto, nenhum cai sobre a terra, nem coisa alguma lhe acontece, sem que o Pai o saiba. Nós valemos muito mais aos olhos de Deus e até os próprios cabelos da nossa cabeça estão todos contados (Mt 10, 30). Não há, pois, que ter medo.
Não temais!, diz-nos o Senhor. Ainda que a terra trema e as montanhas se afundem (Sal 45, 3), ainda que nos matem (cfr. Lc 12, 4), tudo vem de Deus e tudo serve para o nosso bem (cfr. Rom 8, 28). Só devemos temer a Deus quando lhe fugimos.
Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rom 8, 31). Nada temas, porque eu estou contigo (Gên 26, 24; Is 41, 10).
FONTE: O cristão e a dor, Richard Graf, E. Quadrante, São Paulo 2007.
Na mão de Deus, dificilmente haverá meio mais eficaz do que a dor para nos libertarmos do nosso eu, dos homens e do mundo. Os nossos sofrimentos, permitidos por Deus, visam em especial a felicidade no além e dizem-nos dolorosamente que nesta terra não somos mais do que peregrinos e estrangeiros (l Pe 2, 11), que não temos aqui cidade permanente (Hebr 13, 14).
Não há dúvida de que muitas vezes seríamos levados a esquecer-nos disso e nos entregaríamos às coisas terrenas e humanas se a dor não nos ajudasse a ver o nada, a caducidade das coisas terrenas, e não despertasse em nós o desejo de um mundo melhor e mais belo. Enfim, a dor suaviza-nos a morte porque, se o mundo fosse uma mansão de felicidade e bem-estar, não quereríamos partir, e a morte seria ainda mais penosa do que é. Quantas pessoas se entregariam ao pecado e cairiam na desgraça eterna se a dor não nos obrigasse sempre a recuar no caminho do pecado!
Mas, muito embora a Revelação ilumine as trevas da dor, esta não deixa de constituir o mais grave problema, o mais negro enigma da nossa vida. O raciocínio reconhece e vê alguns pontos, a fé esclarece outros, mas à aceitação cabe ainda um grande quinhão. Não interessa tanto a Deus que compreendamos o mistério da dor, mas que creiamos no Senhor e lhe obedeçamos incondicionalmente, embora saibamos que não podemos compreendê-lo nem abrangê-lo.
Deus não se deixa abranger por nós, porque é sempre maior, mais extenso que a nossa compreensão (cfr. Jó 26, 14; 36, 26). Ele criou o nosso ser espiritual à sua imagem e semelhança, mas nós deturpamos a sua imagem segundo a nossa imagem e semelhança. Julgamos que deveria agir sempre como nós e, se age de modo diverso e em especial se nos envia padecimentos, duvidamos logo da sua existência.
Para os judeus, a cruz era um escândalo e para os pagãos uma loucura (l Cor l, 23). Mesmo os Apóstolos não a entenderam a princípio, e, quando o Senhor falou pela primeira vez dos seus padecimentos, São Pedro quis detê-lo: "Deus tal não permita, Senhor! Não te sucederá isto"(Mt 16, 22). Jesus repreendeu-o imediatamente, e essa sua reação impressionou vivamente os outros Apóstolos. Noutra ocasião em que o Senhor lhes falou dos seus padecimentos, não o entenderam, mas não tiveram a coragem de pronunciar uma palavra: Eles não entendiam esta palavra [...] e tinham medo de interrogá-lo acerca dela (Lc 9, 45). Lembravam-se bem do que sucedera a Pedro. E o mesmo se verificou quando o Salvador lhes falou pela terceira vez dos seus padecimentos (cfr. Lc 18, 34).
Nem mesmo a Santíssima Virgem compreendeu todos os caminhos dolorosos por onde Deus a conduziu e afligía-a o problema do porquê. Quando após três dias de buscas vãs encontraram Jesus no templo, Nossa Senhora perguntou-lhe: "Filho, por que procedeste assim conosco?"E o Salvador respondeu: "Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?"Apesar dessa resposta, não o compreenderam: E eles não entenderam o que lhes disse (Lc 2, 48-50).
E nós, compreenderíamos o Senhor se Ele nos respondesse ao problema premente do porquê? Talvez não. Na maior parte dos casos, ainda não entendemos. Os sofrimentos que nos atingem não podem ser explicados no momento em que se produzem, mas apenas em função do conjunto, e é precisamente no seu significado de conjunto que podem ser entendidos. Aquilo que, encarado isoladamente, pode parecer uma loucura, considerado no conjunto pode constituir uma graça divina muito especial.
O PROBLEMA DO "PORQUÊ"
Não é de admirar, pois, que o "porquê" nos acuda aos lábios, principalmente quando se abate sobre nós uma desgraça grande ou quando as dores se sucedem umas às outras. O próprio Salvador, na hora da mais amarga das suas dores, perguntou ao Pai: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27, 46). A dor parecia-lhe como que um muro que ocultava o semblante amigo de Deus (cfr. Mt 27, 46).
A obediência e a submissão tornam-se ainda mais difíceis quando o nosso entendimento nos demonstra sem qualquer sombra de dúvida que sofremos sem culpa. O fardo torna-se insuportável quando vemos que os inocentes sofrem, ao passo que os culpados não só não sofrem, como parecem tirar grandes lucros e vantagens da sua culpa. Há justos que sofrem como se tivessem agido impiamente e há ímpios a quem nada sucede, como se tivessem agido como justos (Ecl 8, 14). Quantas vezes não nos temos apercebido da veracidade destas palavras! Tu és muito justo, ó Senhor, para que dispute contigo; no entanto, desejaria dizer-te coisas justas. Por que é próspero o caminho dos ímpios? Por que vivem felizes os pérfidos? Plantaste-os e eles lançaram raízes, crescem e frutificam (Jer 12, 1-2). Os meus pés por pouco não vacilaram, por pouco os meus passos não se transformaram; porque invejei os iníquos, vendo a paz dos pecadores. Eles não conhecem misérias; têm forte e são o seu corpo. Não participam das canseiras dos outros homens, nem são fustigados como os outros (Sal 72, 2-5).
Não deveria espantar-nos, diante desse panorama, que caiam na confusão aqueles que não têm fé. A nós, porém, a fé diz-nos que o sol do amor divino continua a brilhar no meio da dor. Por detrás dela está o amor de Deus, que é maior que toda a dor. "Deus castiga aqueles que ama" (cfr. Hebr 12, 6). Certa vez, Cristo queixou-se a Santa Teresa de Ávila de que fossem tão poucos os que o amam. A santa respondeu-lhe: "Não deves admirar-te, pois amas os que te crucificam e crucificas os que te amam".
Quando as crianças não dão ouvidos às admoestações dos pais, estes vêem-se forçados a castigá-las, apesar do amor que lhes dedicam e até por causa desse mesmo amor. Nada há de mais prejudicial para uma criança do que esse amor brando que não sabe recusar coisa alguma, que não sabe castigar. Até uma certa idade, os filhos não compreendem que o castigo seja uma prova de amor e por isso os pais não lhes dão longas explicações, uma vez que só o castigo os pode levar a mudar de conduta e, em consequência, a compreender.
Ora, se nem sempre os filhos conseguem compreender os pais, como havemos nós de poder compreender Deus? Com certeza que o Senhor não nos leva a mal choros e queixumes, desde que saibamos reagir com fé. A fé diz-nos que o Senhor é um Deus de amor e ensina-nos a ver esse amor por trás das desgraças, levando-nos a aproveitá-las, a reconhecer o valor que têm para a eternidade.
A DOR E O PECADO
Se olhássemos mais atentamente para a nossa condição de pecadores e para a natureza do pecado, com certeza não nos revoltaríamos tantas vezes contra Deus: Ai daquele que discute com quem o criou, não sendo mais que um vaso entre os vasos da terra. Porventura diz o barro ao oleiro: Que fazes? (Is 45, 9). Pode um mortal ser puro diante do seu Criador? (Jó 4, 17).
Perante Deus, todos somos mais ou menos culpados: todos os castigos são pequenos em comparação com a ofensa que fizemos a Deus ao pecar. Ninguém sofre inocentemente; só Cristo na Cruz e Nossa Senhora a seus pés sofreram sem ter pecado. Quanto a nós, todos sofremos com justiça, todos recebemos o justo castigo das nossas ações (cfr. Lc 23, 41); e se não merecemos a dor que nos aflige num determinado momento, merecemo-la — e talvez mais — por pecados e erros anteriores.
Por isso, não nos devemos admirar de que a dor nos aflija, nem perguntar em que a merecemos. Com muito maior razão deveríamos perguntar em que merecemos o bem-estar e a felicidade quando deles gozamos. Mas é nosso hábito aceitar com naturalidade a felicidade que Deus nos dá, como se a tivéssemos merecido, quando é certo que as coisas deveriam passar-se justamente ao contrário: Se aceitamos a felicidade da mão de Deus, não devemos tamhém aceitar a infelicidade? (Jó 2, 10).
Enfim, nós, pecadores, nunca devemos altercar com Deus por causa da dor, porque não podemos esquecer que Ele não poupou o Filho bem-amado em quem tinha postas as suas complacências (cfr. Lc 3, 22), que o mergulhou num mar de dor como a ninguém na terra. Se tivermos presentes todas estas coisas, será legítimo lamentarmo-nos?
"BEM-AVENTURADO O HOMEM A QUEM DEUS CORRIGE"
Embora compreendamos muitas coisas e possamos seguir o Senhor por alguns caminhos com a razão iluminada pela fé, há muitos outros que não podemos compreender, porque nos conduzem a trevas profundas. Só nos pode ajudar a fé viva na justiça divina e no imenso amor que o Senhor nos dedica. Deus não pode ser cruel, nem por um instante. Quase seria preferível duvidarmos da nossa própria razão a duvidarmos da justiça e amor divinos. Quem perder a fé e a confiança na justiça de Deus, no seu amor, bondade e misericórdia, perderá o chão debaixo dos pés, deixará de ter as suas raízes em Deus, origem da sua vida, e será arrebatado pela tempestade da dor.
A fé diz-nos que Deus é nosso Pai, que está junto de nós quando nos envia o sofrimento. Nesse momento, passamos como que para uma escola superior: O Senhor está perto daqueles que têm o coração atribulado (Sal 33, 19). A dor é mesmo um dos sinais mais seguros de eleição: Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige (Jó 5, 17).
É nosso dever, mesmo ao sofrermos as mais negras dores, estarmos convencidos de que é Deus quem as envia e não começar a ponderar e a cismar. Basta procurarmos compreender o que quer Deus dizer-nos por intermédio desse sofrimento, saber como poderemos valorizá-lo e utilizá-lo. Porque Ele quer salvar-nos e levar-nos ao céu pelo caminho da dor: O que presentemente é para nós uma tribulação momentânea e ligeira, produz em nós um peso eterno de glória incomparável (2 Cor 4, 17). E devemos pensar com São Paulo que os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória vindoura (Rom 8, 18).
Scio cui credidi, "Eu sei em quem creio e confio", escreve São Paulo (2 Tim l, 12). O Salvador exorta-nos a não ter medo (cfr. Mt 10, 28; Lc 12, 32). Um passarinho não tem valor e, no entanto, nenhum cai sobre a terra, nem coisa alguma lhe acontece, sem que o Pai o saiba. Nós valemos muito mais aos olhos de Deus e até os próprios cabelos da nossa cabeça estão todos contados (Mt 10, 30). Não há, pois, que ter medo.
Não temais!, diz-nos o Senhor. Ainda que a terra trema e as montanhas se afundem (Sal 45, 3), ainda que nos matem (cfr. Lc 12, 4), tudo vem de Deus e tudo serve para o nosso bem (cfr. Rom 8, 28). Só devemos temer a Deus quando lhe fugimos.
Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rom 8, 31). Nada temas, porque eu estou contigo (Gên 26, 24; Is 41, 10).
FONTE: O cristão e a dor, Richard Graf, E. Quadrante, São Paulo 2007.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Escapulário do Carmo
A palavra escapulário provém do termo latino scapula, e significa ombros, e indica propriamente um vestido ou hábito que certas ordens religiosas, como os Beneditinos, Carmelitas, Cistercienses e Dominicanos usavam desde os tempos mais remotos, colocado por cima do hábito normal cobrindo os ombros até a altura do peito, com o motivo de manifestar através de mais um sinal a consagração que faziam a Deus. O povo cristão, imitando este costume, começou a usá-lo só que em menores proporções.
O escapulário que ficou mais popular e conhecido é o da ordem do Carmo, que parece ter servido de modelo para todos os outros. É formado por dois pedaços de pano de lã, retangulares, de cor marrom escuro, unidos por dois cordões. Num pedaço de pano há a figura de Nossa Senhora do Carmo e, no outro, a do Sagrado Coração de Jesus. Quem recebe o escapulário mediante a cerimônia aprovada pela igreja poderá usufruir de todos os privilégios que estão mencionados abaixo. Estes privilégios foram concedidos em primeiro lugar aos Carmelitas e, mais tarde, a todo o povo cristão.
Origem: São Simão Stock: graça da perseverança final
Nascido na Inglaterra por volta do ano 1165, aos 12 anos de idade se retira para viver em solidão acompanhado de um crucifixo e de uma imagem de Nossa Senhora. Anos mais tarde, continuar a levar uma vida de eremita acaba conhecendo um grupo de religiosos do monte Carmelo que foram parar na Europa fugindo dos sarracenos. Sentindo-se enormemente atraído pela vocação destes religiosos, decide entrar para a ordem meses depois. No ano de 1245 é nomeado sexto geral da ordem (diretor geral).
Ocupando este cargo e vendo as dificuldades e perseguições intensas a que estavam sendo sujeitos - chegaram quase ao ponto de desaparecerem -, decide recorrer à proteção de Nossa Senhora invocando-a com o título de Flor do Carmelo. Nossa Senhora atende a sua súplica e lhe aparece, rodeada de anjos e segurando o escapulário da ordem. Em seguida fez uma promessa: "isto será para ti e para todos os Carmelitas privilégio. E morrendo com este escapulário não sentirá pena do fogo eternamente, e morrendo com isto será salvo". (N. Calciuri, O, Carm., Vita fratrum de sancto Monte Carmelo, 1461, editado en "Ephemerides Carmeliticae" 5 [1955] 444).
Embora a data desta visão seja incerta, situa-se dentro do generalato de São Simão (1245-1265) e é anterior ao dia 13 de janeiro de 1252, dia em que o papa Inocêncio IV expediu a bula Ex parte dilectorum, onde testemunha a veracidade deste privilégio. É incerto também o lugar da aparição. O conteúdo desta promessa é a perseverança final (a salvação) a quem morra usando este escapulário.
Esta graça da salvação eterna é preciso entendê-la corretamente. A graça que Nossa Senhora concede aos que usam o escapulário e morrem com ele é a de se arrependerem de todos os pecados cometidos em vida, já que é de fé que só se pode salvar quem esteja em estado de graça na hora da morte.
Privilégio sabatino: papa João XXII
À primeira promessa de perseverança final, é preciso acrescentar o chamado privilégio sabatino. Por este privilégio, a pessoa que usar piedosamente o escapulário, Nossa Senhora a tirará do Purgatório (se lá estiver) e a levará para o Céu no sábado seguinte após a morte. Esta promessa da Santíssima Virgem foi comunicada pelo papa João XXII na bula Sacratissimo ut culmine no dia 3 de março de 1322.
A sua origem é a seguinte: como a igreja já estava reunida há dois anos (1314-1316) para escolher o Sumo Pontífice e a questão não se resolvia, Nossa Senhora aparece ao futuro papa, que terá o nome de João XXII, e anuncia-lhe a sua eleição e lhe ordena que, uma vez eleito, promulgue uma nova graça para a ordem do Carmelo. São estas as suas palavras: "João, Vigário do meu Filho, espero de ti uma ampla e favorável confirmação da Sagrada Ordem dos Carmelitas que sempre me foi muito cara... se entre os religiosos ou confrades desta ordem, houvesse algum que ao morrer tenha que pagar seus pecados no cárcere do Purgatório, Eu, que sou a Mãe de Misericórdia, descerei ao Purgatório no primeiro sábado após morte, e o livrarei para conduzi-lo ao Monte Santo da Vida Eterna" (cfr N. Calciuri, o.c. p. 405-406).
No final do século XVI a autenticidade deste privilégio foi posta em dúvida e atacado até o ponto do inquisidor geral de Portugal e de Avignon proibir que fosse pregado ao povo. Os Carmelitas recorreram à Santa Sé e o papa Paulo V, mediante um decreto, pôs fim à questão autorizando que o pregassem com toda liberdade a todos os cristãos.
Foram tantas as confirmações deste privilégio por parte da Santa Sé que alguém chegou a afirmar "que nenhuma outra devoção, fora o terço, tem sido tantas vezes confirmada como o privilégio sabatino" (Cfr. M. di S. Maria, Il Privilegio Sabatino. Parte storica: "Lo Scapulare" 2 [Roma 1950] 71-72). Para as repetidas afirmações do Privilégio Sabatino por parte da Santa Sé pode-se consultar o Bullarium Carmelitanum II, p. 47 ss.; 68; 196 e 596, etc.
Condições requeridas para merecer estes privilégios
Para alcançar o privilégio da perseverança final se requer:
1. Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote.
2. Usá-lo piedosamente, ou seja, esforçar-se por cumprir os deveres cristãos.
3. Levá-lo posto na hora da morte.
Para alcançar o privilégio sabatino se requer:
1. Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote.
2. Usá-lo piedosamente, isto é, esforçar-se por cumprir os deveres cristãos.
3. Levá-lo posto na hora da morte.
4. Guardar a castidade segundo o próprio estado.
5. Rezar diariamente o ofício divino (os que estão obrigados a ele); os demais fiéis podem comutar esta obrigação por outras práticas da piedade cristã.
Conclusão
Todas as aprovações do escapulário feitas pelos papas nos últimos séculos dão a esta devoção um valor inestimável. "Traz sobre o teu peito o santo escapulário do Carmo -diz monsenhor Josemaría Escrivá-. Poucas devoções (há muitas e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre as fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino" (Caminho, n.500).
"Há muitas outras devoções marianas que não é necessário recordar neste momento. Não se trata de introduzi-las todas na vida de um cristão - crescer na vida sobrenatural é muito diferente de um simples ir amontoando devoções -, mas devo afirmar, ao mesmo tempo, que não possui a plenitude da fé cristã quem não vive algumas delas, quem não manifeste de algum modo o seu amor por Maria.
Os que consideram ultrapassadas as devoções à Santíssima Virgem dão sinais de terem perdido o profundo sentido cristão que elas encerram, e de terem esquecido a fonte de que nascem: a fé na vontade salvífica de Deus Pai; o amor a Deus Filho, que se fez realmente homem e nasceu de uma mulher; a confiança em Deus Espírito Santo, que nos santifica com a sua graça. Foi Deus quem nos deu Maria: não temos o direito de rejeitá-la, antes pelo contrário, devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos" (Mons. Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n.142).
Indulgências
Pode-se ganhar indulgências plenárias:
1. No dia da imposição do escapulário.
2. Na solenidade de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho).
3. Na festa de São Simão Stock (16 de maio).
4. Na festa de São Elias, profeta (20 de julho).
5. Na festa de Santa Teresa de Jesus (15 de outubro).
6. Na festa de São João da Cruz (14 de dezembro).
7. Na festa de Santa Teresa do menino Jesus (1 de outubro).
8. Na festa de todos os santos da ordem do Carmo (14 de novembro).
Textos do magistério
Inocêncio IV (1243 - 1254)
Publica três documentos sobre o escapulário: um em 1246, outro em 1247, e o mais importante no dia 13 de janeiro de 1252 (bula Ex parte dilectorum). Neste último documento ameaça de excomunhão os que negam a promessa feita por Nossa Senhora a São Simão Stock: "isto será para ti e para todos os Carmelitas privilégio. E morrendo com isto será salvo" (Cfr. E. BERGIER, Les registres d'Innocent IV [París] 1, 1884).
João XXII (1316 - 1334)
Bula Sacratissimo ut culmine (março de 1322)
"João, Vigário do meu Filho, espero de ti uma ampla e favorável confirmação da Sagrada Ordem dos Carmelitas, que sempre me foi muito cara... se entre os religiosos ou confrades desta ordem, houvesse algum que ao morrer tenha que pagar seus pecados no cárcere do Purgatório, Eu, que sou a Mãe de Misericórdia, descerei ao Purgatório no primeiro sábado após a sua morte, e o livrarei para conduzi-lo ao Monte Santo da Vida Eterna"
Paulo V (1605 - 1621)
1. Breve Cum certas (outubro de 1606): concede indulgências aos que usam o santo escapulário, devidamente imposto.
2. Decreto (junho de 1608): permite aos Carmelitas publicar em suas pregações que o povo cristão pode crer piedosamente (com motivo dos sufrágios das almas dos confrades mortos em caridade) que a Santíssima Virgem ajudará com sua contínua intercessão, com seu sufrágios, com seus méritos e especial proteção, depois da morte, e especialmente no sábado, aos que tenham levado o escapulário em vida, guardado a castidade própria do seu estado, rezado o Ofício Parvo, ou na sua falta, tenham observado o jejum da Igreja e a abstinência nas quartas-feiras e sábados, exceto no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cfr. Sumário de indulgências da Confraria do Escapulário, aprovado pela Sagrada Congregação das Indulgências 1-XII-1866).
Pio IX (1846-1878)
Documentos que estabelecem que a forma do escapulário do Carmo é imutável e tem que ser de lã (julho de 1868).
Pio X (1903-1914)
Concede a dispensa para o uso do escapulário de metal. O escapulário de pano continua sendo mais recomendável por ser mais simbólico.
Pio XII (1939-1958)
Epístola aos Gerais dos PP. Carmelitas (fevereiro de 1950).
Devido ao sétimo centenário do escapulário, o denomina a “primeira devoção mariana, memória de humildade e castidade, breviário de modéstia e simplicidade, símbolo de súplicas e consagração ao Coração de Maria. Ninguém ignora, certamente, quanto o amor à Santíssima Mãe de Deus contribuiu para avivar a fé católica e os costumes cristãos, especialmente através daquelas expressões de devoção com as que, de modo especial com relação às outras, parece que as mentes se enriquecem de doutrina sobrenatural e as almas são solicitadas ao cultivo da virtude cristã. Entre estas figura, em primeiro lugar, a devoção ao santo escapulário dos Carmelitas que, adaptando-se por sua simplicidade a índole de todas as pessoas e com ubérrimos frutos espirituais está amplamente difundida entre os fiéis cristãos. Com grato ânimo, entendemos que, ao aproximar-se o sétimo centenário da instituição desse escapulário da divina Mãe do Monte Carmelo, os religiosos Carmelitas, tanto calçados como descalços, estabeleceram promover solenes celebrações em honra da Bem-aventurada Virgem Maria. Esta piedosa iniciativa a recomendamos de todo coração, tanto por nosso constante amor para a Mãe de Deus como por nossa agregação, desde a mais terna idade, à confraria de tal escapulário, e desejamos de Deus uma abundante chuva de favores. Porque não se trata de coisas de pouca importância, mas da aquisição da vida eterna, em virtude da tradicional promessa da Beatíssima Virgem; trata-se, de fato, da empresa mais importante e do modo mais seguro de levar a cabo. Certamente o sagrado escapulário, como veste mariana, é sinal e garantia da proteção da Mãe de Deus; mas não pensem que a veste pode conseguir a vida eterna na preguiça e na indigência espiritual já que avisa o Apóstolo: “Procurai vossa salvação com temor e tremor” (Fil 2, 12¨). Portanto, todos Carmelitas, que, tanto nos claustros da primeira e segunda ordem como na terceira ordem regular e secular e nas confrarias, pertencem, por um particular vínculo de amor à família da Beatíssima Mãe, tenham no memorial de tal Virgem o espelho de humildade e de castidade; tenham na simples confecção desta veste, um breviário de modéstia e simplicidade; tenham sobretudo, na veste que de dia e de noite levam, a elegante expressão simbólica das súplicas com que invocam a ajuda divina; vejam, finalmente, naquela consagração o Sacratíssimo Coração da Imaculada Virgem Maria que recente e vivamente temos recomendado. Certamente, a piedosíssima Mãe não deixará de fazer que os filhos que expiam no Purgatório suas culpas alcancem o mais cedo possível a pátria celestial por sua intercessão, segundo o chamado privilégio sabatino que a tradição nos transmitiu”.
Paulo VI (1963-1978)
Exortación Marialis cultus (fevereiro de 1974)
Cremos que entre as formas de piedade mariana deve contar-se expressamente o terço e uso devoto do escapulário do Carmo. Esta última prática pela sua própria simplicidade e adaptação a qualquer mentalidade, tem conseguido ampla difusão entre os fiéis, com imenso fruto espiritual.
O escapulário que ficou mais popular e conhecido é o da ordem do Carmo, que parece ter servido de modelo para todos os outros. É formado por dois pedaços de pano de lã, retangulares, de cor marrom escuro, unidos por dois cordões. Num pedaço de pano há a figura de Nossa Senhora do Carmo e, no outro, a do Sagrado Coração de Jesus. Quem recebe o escapulário mediante a cerimônia aprovada pela igreja poderá usufruir de todos os privilégios que estão mencionados abaixo. Estes privilégios foram concedidos em primeiro lugar aos Carmelitas e, mais tarde, a todo o povo cristão.
Origem: São Simão Stock: graça da perseverança final
Nascido na Inglaterra por volta do ano 1165, aos 12 anos de idade se retira para viver em solidão acompanhado de um crucifixo e de uma imagem de Nossa Senhora. Anos mais tarde, continuar a levar uma vida de eremita acaba conhecendo um grupo de religiosos do monte Carmelo que foram parar na Europa fugindo dos sarracenos. Sentindo-se enormemente atraído pela vocação destes religiosos, decide entrar para a ordem meses depois. No ano de 1245 é nomeado sexto geral da ordem (diretor geral).
Ocupando este cargo e vendo as dificuldades e perseguições intensas a que estavam sendo sujeitos - chegaram quase ao ponto de desaparecerem -, decide recorrer à proteção de Nossa Senhora invocando-a com o título de Flor do Carmelo. Nossa Senhora atende a sua súplica e lhe aparece, rodeada de anjos e segurando o escapulário da ordem. Em seguida fez uma promessa: "isto será para ti e para todos os Carmelitas privilégio. E morrendo com este escapulário não sentirá pena do fogo eternamente, e morrendo com isto será salvo". (N. Calciuri, O, Carm., Vita fratrum de sancto Monte Carmelo, 1461, editado en "Ephemerides Carmeliticae" 5 [1955] 444).
Embora a data desta visão seja incerta, situa-se dentro do generalato de São Simão (1245-1265) e é anterior ao dia 13 de janeiro de 1252, dia em que o papa Inocêncio IV expediu a bula Ex parte dilectorum, onde testemunha a veracidade deste privilégio. É incerto também o lugar da aparição. O conteúdo desta promessa é a perseverança final (a salvação) a quem morra usando este escapulário.
Esta graça da salvação eterna é preciso entendê-la corretamente. A graça que Nossa Senhora concede aos que usam o escapulário e morrem com ele é a de se arrependerem de todos os pecados cometidos em vida, já que é de fé que só se pode salvar quem esteja em estado de graça na hora da morte.
Privilégio sabatino: papa João XXII
À primeira promessa de perseverança final, é preciso acrescentar o chamado privilégio sabatino. Por este privilégio, a pessoa que usar piedosamente o escapulário, Nossa Senhora a tirará do Purgatório (se lá estiver) e a levará para o Céu no sábado seguinte após a morte. Esta promessa da Santíssima Virgem foi comunicada pelo papa João XXII na bula Sacratissimo ut culmine no dia 3 de março de 1322.
A sua origem é a seguinte: como a igreja já estava reunida há dois anos (1314-1316) para escolher o Sumo Pontífice e a questão não se resolvia, Nossa Senhora aparece ao futuro papa, que terá o nome de João XXII, e anuncia-lhe a sua eleição e lhe ordena que, uma vez eleito, promulgue uma nova graça para a ordem do Carmelo. São estas as suas palavras: "João, Vigário do meu Filho, espero de ti uma ampla e favorável confirmação da Sagrada Ordem dos Carmelitas que sempre me foi muito cara... se entre os religiosos ou confrades desta ordem, houvesse algum que ao morrer tenha que pagar seus pecados no cárcere do Purgatório, Eu, que sou a Mãe de Misericórdia, descerei ao Purgatório no primeiro sábado após morte, e o livrarei para conduzi-lo ao Monte Santo da Vida Eterna" (cfr N. Calciuri, o.c. p. 405-406).
No final do século XVI a autenticidade deste privilégio foi posta em dúvida e atacado até o ponto do inquisidor geral de Portugal e de Avignon proibir que fosse pregado ao povo. Os Carmelitas recorreram à Santa Sé e o papa Paulo V, mediante um decreto, pôs fim à questão autorizando que o pregassem com toda liberdade a todos os cristãos.
Foram tantas as confirmações deste privilégio por parte da Santa Sé que alguém chegou a afirmar "que nenhuma outra devoção, fora o terço, tem sido tantas vezes confirmada como o privilégio sabatino" (Cfr. M. di S. Maria, Il Privilegio Sabatino. Parte storica: "Lo Scapulare" 2 [Roma 1950] 71-72). Para as repetidas afirmações do Privilégio Sabatino por parte da Santa Sé pode-se consultar o Bullarium Carmelitanum II, p. 47 ss.; 68; 196 e 596, etc.
Condições requeridas para merecer estes privilégios
Para alcançar o privilégio da perseverança final se requer:
1. Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote.
2. Usá-lo piedosamente, ou seja, esforçar-se por cumprir os deveres cristãos.
3. Levá-lo posto na hora da morte.
Para alcançar o privilégio sabatino se requer:
1. Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote.
2. Usá-lo piedosamente, isto é, esforçar-se por cumprir os deveres cristãos.
3. Levá-lo posto na hora da morte.
4. Guardar a castidade segundo o próprio estado.
5. Rezar diariamente o ofício divino (os que estão obrigados a ele); os demais fiéis podem comutar esta obrigação por outras práticas da piedade cristã.
Conclusão
Todas as aprovações do escapulário feitas pelos papas nos últimos séculos dão a esta devoção um valor inestimável. "Traz sobre o teu peito o santo escapulário do Carmo -diz monsenhor Josemaría Escrivá-. Poucas devoções (há muitas e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre as fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino" (Caminho, n.500).
"Há muitas outras devoções marianas que não é necessário recordar neste momento. Não se trata de introduzi-las todas na vida de um cristão - crescer na vida sobrenatural é muito diferente de um simples ir amontoando devoções -, mas devo afirmar, ao mesmo tempo, que não possui a plenitude da fé cristã quem não vive algumas delas, quem não manifeste de algum modo o seu amor por Maria.
Os que consideram ultrapassadas as devoções à Santíssima Virgem dão sinais de terem perdido o profundo sentido cristão que elas encerram, e de terem esquecido a fonte de que nascem: a fé na vontade salvífica de Deus Pai; o amor a Deus Filho, que se fez realmente homem e nasceu de uma mulher; a confiança em Deus Espírito Santo, que nos santifica com a sua graça. Foi Deus quem nos deu Maria: não temos o direito de rejeitá-la, antes pelo contrário, devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos" (Mons. Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n.142).
Indulgências
Pode-se ganhar indulgências plenárias:
1. No dia da imposição do escapulário.
2. Na solenidade de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho).
3. Na festa de São Simão Stock (16 de maio).
4. Na festa de São Elias, profeta (20 de julho).
5. Na festa de Santa Teresa de Jesus (15 de outubro).
6. Na festa de São João da Cruz (14 de dezembro).
7. Na festa de Santa Teresa do menino Jesus (1 de outubro).
8. Na festa de todos os santos da ordem do Carmo (14 de novembro).
Textos do magistério
Inocêncio IV (1243 - 1254)
Publica três documentos sobre o escapulário: um em 1246, outro em 1247, e o mais importante no dia 13 de janeiro de 1252 (bula Ex parte dilectorum). Neste último documento ameaça de excomunhão os que negam a promessa feita por Nossa Senhora a São Simão Stock: "isto será para ti e para todos os Carmelitas privilégio. E morrendo com isto será salvo" (Cfr. E. BERGIER, Les registres d'Innocent IV [París] 1, 1884).
João XXII (1316 - 1334)
Bula Sacratissimo ut culmine (março de 1322)
"João, Vigário do meu Filho, espero de ti uma ampla e favorável confirmação da Sagrada Ordem dos Carmelitas, que sempre me foi muito cara... se entre os religiosos ou confrades desta ordem, houvesse algum que ao morrer tenha que pagar seus pecados no cárcere do Purgatório, Eu, que sou a Mãe de Misericórdia, descerei ao Purgatório no primeiro sábado após a sua morte, e o livrarei para conduzi-lo ao Monte Santo da Vida Eterna"
Paulo V (1605 - 1621)
1. Breve Cum certas (outubro de 1606): concede indulgências aos que usam o santo escapulário, devidamente imposto.
2. Decreto (junho de 1608): permite aos Carmelitas publicar em suas pregações que o povo cristão pode crer piedosamente (com motivo dos sufrágios das almas dos confrades mortos em caridade) que a Santíssima Virgem ajudará com sua contínua intercessão, com seu sufrágios, com seus méritos e especial proteção, depois da morte, e especialmente no sábado, aos que tenham levado o escapulário em vida, guardado a castidade própria do seu estado, rezado o Ofício Parvo, ou na sua falta, tenham observado o jejum da Igreja e a abstinência nas quartas-feiras e sábados, exceto no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cfr. Sumário de indulgências da Confraria do Escapulário, aprovado pela Sagrada Congregação das Indulgências 1-XII-1866).
Pio IX (1846-1878)
Documentos que estabelecem que a forma do escapulário do Carmo é imutável e tem que ser de lã (julho de 1868).
Pio X (1903-1914)
Concede a dispensa para o uso do escapulário de metal. O escapulário de pano continua sendo mais recomendável por ser mais simbólico.
Pio XII (1939-1958)
Epístola aos Gerais dos PP. Carmelitas (fevereiro de 1950).
Devido ao sétimo centenário do escapulário, o denomina a “primeira devoção mariana, memória de humildade e castidade, breviário de modéstia e simplicidade, símbolo de súplicas e consagração ao Coração de Maria. Ninguém ignora, certamente, quanto o amor à Santíssima Mãe de Deus contribuiu para avivar a fé católica e os costumes cristãos, especialmente através daquelas expressões de devoção com as que, de modo especial com relação às outras, parece que as mentes se enriquecem de doutrina sobrenatural e as almas são solicitadas ao cultivo da virtude cristã. Entre estas figura, em primeiro lugar, a devoção ao santo escapulário dos Carmelitas que, adaptando-se por sua simplicidade a índole de todas as pessoas e com ubérrimos frutos espirituais está amplamente difundida entre os fiéis cristãos. Com grato ânimo, entendemos que, ao aproximar-se o sétimo centenário da instituição desse escapulário da divina Mãe do Monte Carmelo, os religiosos Carmelitas, tanto calçados como descalços, estabeleceram promover solenes celebrações em honra da Bem-aventurada Virgem Maria. Esta piedosa iniciativa a recomendamos de todo coração, tanto por nosso constante amor para a Mãe de Deus como por nossa agregação, desde a mais terna idade, à confraria de tal escapulário, e desejamos de Deus uma abundante chuva de favores. Porque não se trata de coisas de pouca importância, mas da aquisição da vida eterna, em virtude da tradicional promessa da Beatíssima Virgem; trata-se, de fato, da empresa mais importante e do modo mais seguro de levar a cabo. Certamente o sagrado escapulário, como veste mariana, é sinal e garantia da proteção da Mãe de Deus; mas não pensem que a veste pode conseguir a vida eterna na preguiça e na indigência espiritual já que avisa o Apóstolo: “Procurai vossa salvação com temor e tremor” (Fil 2, 12¨). Portanto, todos Carmelitas, que, tanto nos claustros da primeira e segunda ordem como na terceira ordem regular e secular e nas confrarias, pertencem, por um particular vínculo de amor à família da Beatíssima Mãe, tenham no memorial de tal Virgem o espelho de humildade e de castidade; tenham na simples confecção desta veste, um breviário de modéstia e simplicidade; tenham sobretudo, na veste que de dia e de noite levam, a elegante expressão simbólica das súplicas com que invocam a ajuda divina; vejam, finalmente, naquela consagração o Sacratíssimo Coração da Imaculada Virgem Maria que recente e vivamente temos recomendado. Certamente, a piedosíssima Mãe não deixará de fazer que os filhos que expiam no Purgatório suas culpas alcancem o mais cedo possível a pátria celestial por sua intercessão, segundo o chamado privilégio sabatino que a tradição nos transmitiu”.
Paulo VI (1963-1978)
Exortación Marialis cultus (fevereiro de 1974)
Cremos que entre as formas de piedade mariana deve contar-se expressamente o terço e uso devoto do escapulário do Carmo. Esta última prática pela sua própria simplicidade e adaptação a qualquer mentalidade, tem conseguido ampla difusão entre os fiéis, com imenso fruto espiritual.
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